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Colóquio Internacional Religião e Corporeidade

Colóquio Internacional Religião e Corporeidade

By admin in Novidades on agosto 6, 2019

Entre os dias 24 e 26 de setembro o PPGAS/Unicamp receberá a visita do Professor Thomas Csordas. A vinda de Csordas é apoiada pela Fapesp, por meio do projeto de pesquisa Espiritualidade Institucionalizada, e também servirá como mote para a realização do Colóquio Internacional Religião e Corporeidade.

O colóquio terá como atividades principais um seminário de oito horas ministrado por Csordas, apresentação e debate de trabalhos e uma mesa redonda final. Veja abaixo o detalhe da programação e as instruções para submissão de proposta de trabalho.

24/09 (manhã/tarde) – Seminário com Thomas Csordas

25/09 (manhã) – Apresentação de trabalhos

26/09 (manhã) – Apresentação de trabalhos

           (tarde) – Mesa redonda de encerramento

Serão selecionados 6 trabalhos para apresentação e debate. Os trabalhos devem ser submetidos em forma de resumos (em português e inglês – até 200 palavras ), enviado para o email: [email protected], até o dia 21 de agosto.

Para mais informações, enviem email para [email protected]

Religious Matters in Public Space

Religious Matters in Public Space

By admin in Novidades on agosto 2, 2019

Em maio deste ano, por ocasião da visita de Birgit Meyer à Unicamp, realizamos uma série de atividades no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social. A visita de Meyer estava associada ao lançamento do livro Como as coisas importam. Um abordagem material da religião. Naquela semana, ela também proferiu a aula inaugural do PPGAS, que agora disponibilizamos aqui em forma de vídeo.

 

The State and spiritual/religious healing processes in contemporary societies

The State and spiritual/religious healing processes in contemporary societies

By admin in Novidades on junho 19, 2019

Entre os dias 9 e 12 de Julho ocorrerá, em Barcelona, o Encontro da Sociedade Internacional de Sociologia da Religião. Na ocasião, Thomas Csordas, Olga Odgers Ortiz, Olga Olivas Hernández e Rodrigo Toniol, coordenarão o painel “The State and spiritual/religious healing processes in contemporary societies”, cujo resumo está descrito abaixo. Essa atividade marcará o início de uma aproximação de Thomas Csordas com o Laboratório de Antropologia da Religião da Unicamp e, particularmente, com o grupo do projeto de pesquisa Espiritualidade Institucionalizada, divulgado neste site. Em setembro deste ano, Csordas passará uma temporada conosco. Nas próximas semanas faremos o anúncio do evento que estamos preparando.

Para quem quiser se familizarizar com o pensamento desse autor, recomendamos a leitura desta entrevista recentemente publicada (clique aqui).  

The State and spiritual/religious healing processes in contemporary societies

This thematic session has the aim to discuss the relations between the State, alternative health practitioners, and the users of their services. Unconventional ways of treatment are in some cases
perceived with skepticism and rejected by the State, in some others are seen as complementary forms of treatment and in unique cases are integrated into the official health systems. In the first
case, the purpose is to analyze the mechanisms and statements underlying the disapproval of alternative health practices. In the second one, the objective is to understand the complementary
perspectives on health treatments and their development. In the latter case, the idea is to discuss the State role either referring specific health problems to alternative forms of treatment or integrating them into the official health system. The multiple ways of analyzing this topic include at the micro level, the focus on health services users who combine spiritual, religious and clinical practices, at an intermediary level, the tensions or agreements in between health practitioners, and at the macro level, the State regulation among religious and medical fields in terms of health. Therefore, this session has the goal to provide a setting to discuss anthropological, sociological and political works analyzing the State positions in the face of religious and spiritual healing processes, and its impact in the understanding and caring of health/illness conditions in contemporary societies.

Pânico sentido:  um olhar sobre a (falta de) respiração no Transtorno de Pânico

Pânico sentido: um olhar sobre a (falta de) respiração no Transtorno de Pânico

By admin in Crônicas de pesquisas on maio 27, 2019

Giovanna Paccillo

Ao olhar para o mapa de distribuição espacial de transtornos mentais pelo globo, divulgado por uma reportagem de um jornal online em julho de 2018, vemos que a predominância dos transtornos de ansiedade se encontra, principalmente, no continente Americano. Em especial, uma pesquisa realizada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2017, aponta o Brasil como o país que contém o maior número de diagnósticos de transtorno de ansiedade do mundo. Levando em conta esse fenômeno tão comum no país, focalizo um aspecto, hoje particular, do que chamamos de ansiedade: o transtorno de pânico, que acomete aproximadamente 3,5% da população brasileira.

O interesse pelo pânico se deve a sua definição e caracterização sintomática. Ele aparece, no DSM-V – o volume mais recente do manual de diagnósticos criado pela Associação Americana de Psiquiatria (APA) -, como um subgrupo do que é amplamente chamado de ansiedade. A especificidade da doença estaria na persistência e na imprevisibilidade dos ataques de pânico, que por sua vez são definidos como “(…) um surto abrupto de medo intenso ou desconforto intenso que alcança um pico em minutos” e durante o qual ocorrem sintomas como: palpitações, coração acelerado, taquicardia; sudorese; tremores ou abalos; sensações de falta de ar ou sufocamento; sensações de asfixia; sensação de tontura, vertigem ou desmaio; calafrios ou ondas de calor; medo de perder o controle; e medo de morrer.

Ao mesmo tempo, considero que o diagnóstico é apenas uma configuração do transtorno de pânico, sendo possível encontrar outras formas de descrição que o articulam. Aqueles que desenvolvem o transtorno de pânico, não desenvolvem somente um “diagnóstico”, mas um processo novo e real de engajamento com o mundo completamente relacionado a essas sensações imprevisíveis, intensas e abruptas. Assim, o que está em jogo não parece se tratar unicamente da construção de uma doença específica calcada na repetição de sintomas determinantes – apesar de o ser também. Tendo isso em vista, o foco principal da pesquisa que venho desenvolvendo, é pensar as formas como o transtorno de pânico é vivenciado nas práticas cotidianas tanto de pacientes como também de médicos e pesquisadores; e centrando o olhar nos sintomas – mais especificamente a falta de ar, sufocamento e asfixia –, me interesso em saber quais as estratégias que pacientes se utilizam para lidar com tal situação.

O foco na (falta de) respiração tem alguns motivos. O primeiro deles é que, como a definição diagnóstica da doença é sintomática, os sintomas devem ser ponto de partida para um estudo do transtorno. O segundo tem a ver com a recorrência com que ela aparece não só nos relatos das crises, mas também nas estratégias cotidianas de pacientes. Se, por um lado, os outros sintomas são extremamente importantes para a identificação de uma crise e a conformação de um diagnóstico, por outro, a respiração parece ser o meio pelo qual tratamentos e pesquisas são mais facilmente articulados. Não são raros os relatos de pessoas que recorreram a terapias e exercícios específicos como pilates, aromaterapia, yoga, mindfullness, etc., para controlar seus sintomas – envolvendo uma complexa relação entre exercícios, respiração e espiritualidade. E mais: o controle e a técnica da respiração não somente é utilizada em seu tratamento, mas também em pesquisas sobre a doença. O terceiro motivo diz respeito à existência de núcleos de pesquisa dedicados ao tema, como o Laboratório de Pânico e Respiração (LABPR) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Esses grupos vêm se dedicando à investigação das relações estabelecidas entre o transtorno de pânico de modo geral, e a respiração em particular.

  Dessa forma, meu foco na respiração tem como aposta a articulação que essa sensação e (por vezes) sintoma tem com as três dimensões relatadas aqui: a clínico-diagnóstica; a fenomênica dos indivíduos; e a da pesquisa científica. Por fim, a escolha da arte que acompanha o texto tem a ver com um projeto de uma artista inglesa chamada Jayne Wilton, que tenciona explorar diferentes maneiras de capturar e tornar visível a respiração humana. A imagem escolhida, Breath etched onto copper plate, faz parte de sua exposição Breathe (2010 – 2014) – resultado de um longo período de pesquisa e colaboração com a equipe e os pacientes dos hospitais Harefield e Royal Brompton, na Inglaterra.

Religião e espiritualidade em diagnósticos psiquiátricos

Religião e espiritualidade em diagnósticos psiquiátricos

By admin in Crônicas de pesquisas on maio 12, 2019

Por Lucas Baccetto

Desde ao menos a década de 1980, discussões em torno da importância de fenômenos religiosos e/ou espirituais para a psiquiatria tornaram-se recorrentes na literatura acadêmica da área. Em especial, chama a atenção o enfoque dado pelos autores em oposição ao que eles entendem como uma histórica e sistemática negligência por parte de sua disciplina em relação a esses temas. Em resposta a isso, uma extensa agenda de investigação foi posta em movimento a partir de diversas frentes e em universidades situadas ao redor de todo o globo. Como as pesquisas de nosso grupo têm apontado, o enunciado “espiritualidade é saúde” vem se tornando uma espécie de “pedra basilar” nas pesquisas das ciências médicas sobre o tema, sendo repetido com pequenas modulações e atuando como referencial para a criação de políticas públicas de saúde no Brasil e em diversos outros países.

Embora a maior parte dos esforços desses pesquisadores esteja direcionada à comprovação dessa máxima terapêutica – que liga um maior fator de espiritualidade a uma melhor condição de saúde –, uma outra dimensão dos estudos médicos sobre religião e espiritualidade tem retido a atenção dos psiquiatras: e quando a religião e/ou a espiritualidade fazem mal à saúde? Aqui, o empenho central dos pesquisadores se dá na disputa pela criação de novas categorias diagnósticas no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM), um importante guia de diagnósticos de autoria da Associação Americana de Psiquiatria (APA). Para tanto, a categoria antropológica “cultura” tornou-se fundamental na construção das reivindicações feitas por esses psiquiatras, passando a ser mobilizada constantemente junto às propostas de novos diagnósticos sobre os temas.

A quarta edição do DSM, lançada em 1994, foi um momento de inflexão nessa recente história. As discussões em torno de sua elaboração contaram com duras críticas feitas por um conjunto de psiquiatras que vinham apontando para um possível caráter “biologizante” que o manual havia assumido em sua edição anterior. Parte substancial dessas críticas se deram a partir do que se convencionou chamar de “psiquiatria transcultural” e da “nova psiquiatria intercultural”, e diziam respeito à falta de atenção que o manual dava à “cultura”. Junto à inclusão no DSM-IV de algumas das reivindicações desse grupo, dois novos diagnósticos também foram incluídos: “transtorno de transe dissociativo” e “problemas religiosos ou espirituais”.

A partir desse quadro, minha pesquisa está interessada em saber como esse movimento de sensibilização a aspectos “culturais” no DSM foi essencial para a inclusão desses dois diagnósticos. Além disso, importa saber quais os efeitos que acarretam dessa associação entre “cultura” e “religião/espiritualidade”. Qual a relação estabelecida entre esses termos? Estariam a religião e a espiritualidade marcadas como dois casos particulares dentre tantos aspectos daquilo que compõe e varia entre as “culturas”?

Anamnese espiritual

Anamnese espiritual

By admin in Crônicas de pesquisas on abril 18, 2019

Aidan Valentina Fongaro

Iniciada em janeiro deste ano, esta pesquisa está interessada em acompanhar um elemento específico da intersecção entre espiritualidade e saúde, a Anamnese Espiritual. Constantemente mobilizada por médicos e psiquiatras para avaliar os potenciais efeitos clínico da espiritualidade nas condições dos pacientes, ela é um desdobramento da atenção que a área de saúde vem demonstrando, desde o final do século XX, pela dimensão espiritual do indivíduo. E ao passo que se desenvolveram pesquisas explorando estes possíveis efeitos, aos poucos estão se estruturando protocolos clínicos para capacitação dos profissionais de saúde. Protocolos que visam acessar a espiritualidade de cada paciente e manejá-la de maneira proveitosa para o tratamento de sua saúde.

Anamnese é o nome dado à entrevista realizada pelo médico com seu paciente para que o profissional da saúde possa conhecer um pouco de sua realidade e de sua condição. Assim ele pode apontar um possível diagnóstico e um tratamento adequado. Essa anamnese em especial foi desenhada para que logo nos primeiros contatos já se possa entender, com o consentimento do paciente, como se desenha sua espiritualidade e/ou religiosidade e que impacto essas categorias possuem em sua vida. É a partir dessa primeira entrevista que os profissionais de saúde podem pensar em maneiras de fazer presente a espiritualidade do paciente ao longo de seu tratamento. Isso pode se dar de maneira direta, através de técnicas desenvolvidas e aplicadas pela equipe de saúde ou de maneira indireta, quando se fornece o espaço adequado para que o paciente se trabalhe e se conecte com sua própria espiritualidade e suas questões pessoais.

A cada momento descubro novos materiais bibliográficos a respeito de como e de onde se desenvolve e se estabelece enquanto um protocolo clínico a Anamnese Espiritual. E o processo de me apropriar desse material será perene principalmente porque essa é uma característica de sua produção. Mas conforme me familiarizo com ele consigo desenhar as pistas para uma observação direcionada para analisar os efeitos da presença da Anamnese Espiritual nos hospitais e clínicas.

Existem várias pesquisas apontando efeitos positivos para os pacientes quando proporcionada atenção para sua espiritualidade (sendo a Anamnese Espiritual imprescindível para que isso se dê de maneira apropriada) mas também existem vários testemunhos de enfermeiros e médicos sobre o desconhecimento de técnicas e o despreparo para mobilizar espiritualidade de maneira eficiente.

Espero me deparar, e me preparo para analisar de maneira pertinente, tanto a aplicabilidade da Anamnese Espiritual quanto a possível resistência à sua aplicação. Além disso, que relação é estabelecida entre a instituição de saúde e seus profissionais com seus pacientes e suas diferentes concepções de espiritualidade? Que reação desperta nos profissionais de saúde quando se deparam com certas questões pessoais de cada paciente que até então se mantinham fora dos laudos e das terapias clínicas? Esses são alguns dos primeiros aspectos os quais pretendo analisar no desenrolar da pesquisa. Veremos como isso toma forma.

Espiritualidade nas pesquisas médicas

Espiritualidade nas pesquisas médicas

By admin in Crônicas de pesquisas on março 24, 2019

Manuela Carvalho

O tema da espiritualidade vem ganhando destaque nos dias atuais, especialmente na área da saúde, trazendo novas perspectivas e divergências entre pesquisadores e especialistas da área. Nesse período a OMS contribuiu para legitimar o fator espiritual como uma das categorias que compõe a saúde e o bem-estar de todas as pessoas. Na última década houve um aumento significativo das pesquisas acadêmicas envolvendo esse tema, tendo mais de 250 teses e dissertações a esse respeito defendidas em diversas universidades em todas as regiões do Brasil.

A categoria espiritualidade é comumente utilizada de forma a se distanciar da religiosidade, das crenças e dogmas e categorizada como algo subjetivo e intrínseco a todo ser humano, ainda que cada um possa entendê-la à sua maneira. Nesse sentido, essa categoria é estratégica a medida em que pode ser adaptada em diversos contextos e legitimada numa chave universal, além de trazer uma noção de um caráter abrangente, diferentemente das práticas religiosas.

A forma como esse tema surgiu e se consolidou na literatura médica brasileira é a questão da qual pretendo pesquisar me aprofundar em minha iniciação científica. A partir de um mapeamento dessas teses e dissertações, tenho identificado alguns núcleos que se destacam por se constituírem como centros de pesquisa dedicados à espiritualidade (e por vezes a religiosidade) e seus vínculos com saúde e bem-estar. Entre os núcleos temos o ProSer (Programa de Saúde, Espiritualidade e Religiosidade) da USP e o NUPES (Núcleo de Pesquisa em Espiritualidade e Saúde) da Universidade Federal de Juiz de Fora. Juntamente com as produções acadêmicas de outras universidades, esses dois grupos apresentam com maior frequência temas que consideram o fator espiritual em pacientes em cuidados paliativos ,no campo da gerontologia e entre usuários de drogas.

Sendo assim, pretendo, a partir de agora, me aprofundar nessa enorme bibliografia biomédica que começou a integrar a espiritualidade no atendimento de pacientes terminais. Além disso pretendo traçar os primeiros médicos que começaram a trazer o tema da espiritualidade na saúde, a fim de investigar como esse tema começou a ganhar tanto destaque.

A espiritualidade nas políticas públicas de saúde

A espiritualidade nas políticas públicas de saúde

By admin in Crônicas de pesquisas on março 1, 2019

Ana Beatriz Foster

Graduanda em Ciências Sociais – Unicamp

“Espiritualidade” é um termo que está se destacando cada vez mais, tornando-se foco em várias pesquisas de diversas áreas do conhecimento. O que chama atenção principalmente é a incorporação da categoria por instituições seculares e mobilização em contextos oficiais de atenção à saúde. É justamente esse o foco da pesquisa principal: investigar como e as crescentes formas com a qual a categoria espiritualidade tem sido incorporada e usada no âmbito da saúde no Brasil. Para isso, o interesse empírico está dirigido a três dimensões: como espiritualidade aparece nos usos clínicos; como ela é mobilizada no contexto das pesquisas médicos científicos; e, como ela se apresenta nas políticas públicas de saúde.

Gradativamente, a categoria “espiritualidade” tem sido empregada em documentos oficiais do ministério da saúde, sendo frequentes referências explícitas, em textos de políticas públicas, à “dimensão espiritual da saúde”, aos “valores espirituais” e aos “cuidados com a espiritualidade”. O interesse principal da pesquisa pela qual sou responsável é analisar a presença e os usos da noção de espiritualidade nas políticas públicas de saúde no Brasil. O objetivo principal é mapear o modo como “espiritualidade” tem sido incorporada nessas politicas, explorando suas variações e com isso, apontar as convergências e as tensões que marcam esse processo. Para isso buscarei fazer o levantamento de todas as políticas de saúde promulgadas pelo ministério da saúde, desde a criação do SUS, juntamente com políticas de saúde estaduais e municipais, etapa essa que já iniciei; ademais, será elaborado um banco de dados, em um software de análise qualitativa, com os textos das políticas de saúde selecionadas; a partir das ferramentas de análise disponíveis, buscarei identificar as formas regulares de estabelecimento da categoria espiritualidade nas políticas de saúde. O foco de interesse desta pesquisa são as ocorrências em que conceitos como “espiritualidade”, “religião”, “religiosidade”, “espiritual” aparecem nos textos de políticas públicas de saúde existentes no Brasil.

No momento, a pesquisa está no começo, apenas em seus primeiros passos, sendo possível que, a partir da leitura e das investigações, ela tome rumos pelos quais não imagino agora. Por enquanto, estou levantando as políticas públicas de saúde no Brasil e lendo a literatura necessária e participando de discussões sobre os temas relacionados. Mesmo que pouca coisa fora feita até agora, muitas reflexões me vieram à mente a partir disso. Alinhada com o projeto de pesquisa principal, não parto de uma definição ou entendimento prévio do que seja a espiritualidade, mas como, a partir de cada realidade, a espiritualidade é concebida, desenhada e assim, mobilizada de variadas maneiras. Diante disso, o que posso dizer é que, pelo que observei, a forma com a qual espiritualidade é manuseada nas políticas públicas difere das formas como é empregada em pesquisas médicas e científicas e no campo clínico. A impressão que tenho é que diferentemente do discurso médico, que opera por uma lógica entendimento de uma “dimensão espiritual” como fator de saúde humana, no campo das políticas públicas, a categoria espiritualidade está implicada em uma lógica de “direitos”, sendo uma forma de conciliar o direito de liberdade religiosa dentro dos hospitais com a manutenção de um Estado laico, separado da religião.

Como já dito, estou apenas no início da pesquisa, sendo que com seu aprofundando, ideias, hipóteses, impressões mudem e tomem rumos inimagináveis.

Divinação e ciência: sonhos, corpos e sentidos de experiências divinatórias à literatura científica

Divinação e ciência: sonhos, corpos e sentidos de experiências divinatórias à literatura científica

By admin in Crônicas de pesquisas on fevereiro 22, 2019

Maria Luiza Assad

 

Como ganha corpo o que de outro modo poderíamos considerar “efêmero”? São as pessoas, mediante seus corpos, capazes de antecipar acontecimentos por vir? Como pode ser pensada a experiência dos sentidos? E talvez mesmo de seus horizontes temporais? Em certo sentido, a pesquisa que intento realizar segue na esteira de outros trabalhos que buscam “capturar o intangível”. E posso dizer que o intuito de observar como adquire corpo o intagível, neste caso, se desdobra em duas facetas:

Por um lado, posso dizer que o “intangível” de eleição reside na esfera das experiências divinatórias – isto é, visões, sonhos premonitórios, pressentimentos e intuições que parecem se concretizar. E o objetivo é acompanhar como as pessoas (“entre nós”) se relacionam com a possibilidade de tais ocorrências: como parecem ocorrer tais experiências; como são vividas corporalmente, quais são as percepções sobre horizontes temporais e limites de corpos emergentes, como são integradas ou transformam concepções de vida etc. Através de entrevistas, pretendo mapear a relação das pessoas com o que designarei por “sensibilidades antecipatórias”. E, propositalmente, não partirei de um grupo pré-estabelecido, mas daqueles que se mostrarem disponíveis para compartilhar suas experiências referentes a esse tipo de fenômeno.

Por outro lado, o intuito se desdobra na observação de como o intangível vem recebendo corpo através de certa literatura científica. Por ora, o que posso antecipar é que parte da pesquisa deve acompanhar o deslocamento operado em meio a  abordagens científicas que usualmente tem de lidar com corpos: pensem em medicina e certas contribuições das biociências. Mas também na própria antropologia. E, em especial, naquela sua faceta de “antropologia médica”. Não por querer aprofundar subdivisões, mas pela própria forma com que necessariamente teve de lidar com o questões relativas ao corpo. Observar deslocamentos no interior da antropologia parece chave. E não apenas porque é o campo em que se insere o projeto: mas por ser “tradicionalmente” aquele que lida com as temáticas da divinação, dos limites de corpos e pessoas, e das renegociações entre o que se compreende como social e/ou natural.

Claro, trata-se mais de uma promessa inicial que, como em tantas pesquisas, pode cair por terra ao longo do seu desenvolvimento, levada a assumir outros rumos. Um ponto delicado se refere ao próprio “método” e suas razões. Por que não partir de um grupo já definido, por exemplo? Um grupo religioso, como informalmente já me foi sugerido? Posso vislumbrar (assim como provavelmente aqueles que me cercam) uma série de dificuldades de não ir a um campo situado em algum lugar específico, em momentos específicos. Uma razão, neste momento, é: porque esse tipo de recorte não permitiria ver a ocorrência/relação com dado fenômeno – seja lá como o entendamos – fora daquele domínio. Não permitiria sequer perscrutar a possibilidade de que seja mais disseminado do que se concebe.

Por fim, de certo modo isso remete à escolha pela “divinação”. Uma etnografia como a de Charles Stewart indica como sonhos-visões não apenas permitem vislumbrar a coexistência de diferentes percepções temporais, como podem incitar a ação no presente. E o interesse nesse tipo de questão foi profundamente influenciada por seus trabalhos, dentre outros. Mas o que posso dizer, além disso, é que a escolha também se inspirou no famoso ensaio de Carlo Ginzburg acerca do paradigma indiciário. 

O paradigma que poderia ser entendido como “médico”, mas também “divinatório”, dependendo de sua orientação temporal. No mesmo ensaio, Ginzburg aludia ainda à ideia de que há uma forma de conhecer marcada por uma “intuição baixa”, isto é, profundamente radicada no corpo, nos sentidos. Aquilo que reuniria os humanos às outras espécies animais. E o que certamente não deve surpreender antropólogos de inspiração fenomenológica. Aspecto que, junto a certas conversas iniciais, talvez indique que o que almejo perscrutar se encontre sob a esfera de “sensibilidades antecipatórias”; capacidades, habilidades ou formas de conhecer, sentir, antecipar que dependem do corpo. Nesse momento em que tanto se fala da dificuldade de imaginar futuros, também fui capturada pelo interesse em acompanhar as percepções a seu respeito. E do engajamento corporal que deve fazer parte desse processo.

A “espiritualidade”: um olhar a partir do cotidiano

A “espiritualidade”: um olhar a partir do cotidiano

By admin in Crônicas de pesquisas, Novidades on fevereiro 2, 2019

Texto de Nicolás Viotti (CONICET)

Tradução: Luciana Cavalcanti

Os estudos sobre a espiritualidade contemporânea apresentam uma grande heterogeneidade nos últimos anos. Se tivéssemos que agrupá-los em diferentes abordagens, poderíamos assinalar pelo menos três correntes.

Um primeiro grupo apresenta uma descrição sociológica e histórica mais ou menos geral, subsumida à narrativa moderna da individualização, que supõe uma perda de um horizonte heteronormativo da religião e a emergência – pela via dos movimentos espirituais – de um modelo autônomo ou individualista (14, 15, 16). Embora esses trabalhos tenham  o mérito de uma leitura a longo prazo, mantiveram-se em um nível muito ideacional e, como consequência, muitas vezes concentraram-se excessivamente na tensão entre uma ordem coesa, própria de uma religiosidade eclesial, e uma concepção do individualismo, próprio da espiritualidade, o que suporia uma subjetividade infrasocial. Esse tipo de análise possui algumas dificuldades para detectar a capilaridade das experiências auto percebidas como espirituais nos mais diversos âmbitos e, particularmente, para entender sua presença e difusão pública contemporânea.

Um segundo grupo desenvolveu uma crítica a esses trabalhos pioneiros, mostrando como o foco na vida cotidiana permite reconstruir relações sociais e questionar a ênfase excessiva que esses trabalhos deram à autonomia individual. Nesse sentido, Wood(17) e Wood e Bunn (18) se preocupam com o problema da autoridade, a partir de uma releitura da teoria da prática social de autores como Pierre Bourdieu e Michel Foucault. Esses autores assinalam que é necessário repensar a dicotomia entre autonomia individual e autoridade externa e enfatizam que existem múltiplas autoridades nas práticas espirituais no estilo Nova Era, como líderes, especialistas e forças não naturais, que têm influência sobre os grupos e indivíduos de maneira profunda e com um forte nível de estabilidade.

Ademais, mostram como essas práticas e essas múltiplas autoridades se vinculam com processos de produção e reprodução das classes sociais, particularmente os grupos identificados como setores médios. Esses autores priorizam as redes e as práticas cotidianas, descrevendo as tramas relacionais, com sua produtividade social e cosmológica, em um movimento que matiza alguns dualismos implícitos na sociologia da modernização religiosa: social/individual, sagrado/profano e alma/corpo.

Em último lugar, a partir de uma perspectiva mais radicalmente pragmática, Bender e McRoberts(19) insistiram em uma crítica semelhante aos estudos mais clássicos que entendem a espiritualidade como um fenômeno independente do religioso, e caracterizado exclusivamente pela individualização e privatização. Pelo contrário, esses autores mostram até que ponto a espiritualidade possui uma gênese histórica e uma forte dimensão relacional – não apenas uma ênfase na “interioridade” – e de que maneira é um recurso performativo com consequências públicas. Esse último aspecto é crucial porque, contra a ideia da privatização da religião, mostra como a espiritualidade mobiliza diversas formas de ação pública e de adesões políticas nas sociedades contemporâneas, as quais andam de mãos dadas com as novas formas de mediaçao que implicam os recursos da comunicação de massas e a indústria cultural.

Esses trabalhos sobre a espiritualidade contemporânea são um recurso útil para repensar as distinções entre o estritamente religioso e o terapêutico, na medida em que deixam parcialmente de lado as distinções mais estritas entre esferas ou campos independentes, ou mesmo sua redefinição contemporânea, para concentrar-se na vida cotidiana. Do mesmo modo, descentralizam o foco dos especialistas e das intervenções públicas e dão um novo estatuto epistemológico aos espaços mais “banais” e “impuros”. Por último, também permitem suspender os recortes mais convencionais entre grupos religiosos ou terapias, como se fossem uma realidade em si mesma.

Esse movimento recente possui desenvolvimentos próprios na América Latina, o que seria muito extenso para reconstruir aqui. Ao menos na Argentina, a análise do que aqui estamos denominando e recortando analiticamente como bem-estar espiritual encontra uma série de trabalhos e reflexões que cresceram nas últimas décadas, a partir de uma problemática que adquiriu cada vez mais visibilidade pública. Apesar de priorizarem a lógica institucional, tanto os trabalhos voltados para movimentos ou grupos religiosos e/ou espirituais mostraram uma tendência para a articulação (4, 5, 9, 20). Esses trabalhos abordaram o problema da articulação entre o médico-psicológico e o espiritual, e tiveram um desenvolvimento particular, sobretudo, sob o conceito de “terapias alternativas”. Tanto do ponto de vista da construção e negociação das identidades profissionais da medicina e da psicologia (21) quanto do ponto de vista mais englobante de especialistas e frequentadores de práticas “alternativas” como a reflexologia, a ioga e a medicina ayurveda, que supõem diferentes graus de articulação com alguns princípios não naturalistas no horizonte de um “pluralismo terapêutico” que se caracteriza pela “escolha” entre opções diversas (9, 22, 23, 24, 25).

Se os primeiros se concentram em uma análise da incorporação do espiritual no médico-psicológico, com foco na oferta, os segundos se concentram na adaptação de práticas – que, a princípio, pertenciam a um horizonte cosmológico – aos regimes seculares de gestão de saúde, não sem tensões, ressignificações e persistências. Ainda mantendo-se na “esfera” das denominadas terapias alternativas, esses trabalhos possuem um enorme valor e ampliaram o conhecimento de uma série de práticas que manifestam regimes de causalidade e de eficácia não naturalista, chegando até a questionar-se sobre os limites ou fronteiras do estritamente “terapêutico” e mostrando diferentes graus de vínculos com essas tecnologias e saberes que vão desde o uso estratégico até a adesão aos seus princípios básicos.

Se a partir de um ponto de vista essa separação pode ser socialmente eficaz, de outro não possui uma relevância tão substanciosa. É, em parte, a linguagem da qual dispomos que fica presa na tensão entre o religioso-espiritual e o médico-terapêutico. E, como se conhece bem sua capacidade performativa, recorta nossos objetos de estudo, nossos temas e nossos problemas de uma maneira singular. Com essa premissa, assinalo três focos de separação que podem ser repensados a partir de uma análise sobre a vida cotidiana e os diferentes agenciamentos plurais do bem estar espiritual.

Em primeiro lugar, o recorte que realizamos entre “terapias alternativas”  e “grupos religiosos ou espirituais”. Enquanto o primeiro tende a um diálogo no horizonte dos estudos sobre saúde, o segundo é incorporado às ciências sociais da religião. O trabalho de María Julia Carozzi (26), desde o título que alerta sobre a possibilidade de ler esses processos em sua simultaneidade e a descrição da rede como lógica morfológica e indicação de alguns princípios básicos como a cosmização, a autonomia e a desierarquização, se preocupou em não separar esses âmbitos em esferas independentes; e, apesar de que alguns de seus princípios ou sua morfologia não tenham servido para todos os casos particulares – sobretudo quando se colocou a ênfase nos discursos públicos e nos princípios totalizantes de grupos espirituais ou terapêuticos – acreditamos que sua descrição ainda é útil, ao priorizar a ordem cotidiana e a circularidade dos frequentadores.

Particularmente, quando analisamos os discursos e as práticas públicas surge um segundo ponto de distanciamento. Sobretudo quando o foco está colocado nos especialistas y nas intervenções de coletivos específicos, nós, analistas, tendemos a nos concentrar nos modos de legitimação, de diferenciação, de heterodoxia e/ou de resistência, porque muitas vezes é isso que aparece na interação com seus líderes, referentes ou experts. Desse modo, a articulação entre esses termos aparece como um “híbrido”, no sentido em que Bruno Latour (12) entende o termo, como uma combinação de dois elementos que se enunciam separadamente, mas que vivem como unidos. Da mesma forma, a partir deles, acessamos habitualmente perspectivas sistematizadas e relativamente coerentes e acreditamos constatar algum tipo de sistemas com princípios, valores e práticas organizados como se fossem exclusivos dos grupos que analisamos, e não parte de uma gramática que se constrói em um processo mais amplo.

Em terceiro e último lugar, incluindo quando nos concentramos nos discursos menos públicos, sobretudo quando tomamos um sujeito individual como interlocutor válido e locus único da interação, tendemos a reconstruir suas “representações” e suas trajetórias (terapêuticas e/ou religioso-espirituais) de modo isolado, tomando como dada uma concepção da pessoa que aparece como universal, mas que se assemelha bastante ao modelo do individualismo moderno, o qual supõe um agente que “seleciona” e “escolhe” em um mercado ou em um cenário “plural” de bens de salvação ou bem-estar. O foco colocado na escolha individual corre o risco de tomar por certa uma concepção de pessoa estritamente individualista, sem questionar-se sobre o modo de subjetividade que ali se produz e que, acreditamos, supõe elementos diferenciados do modelo clássico de indivíduo (27). Boa parte da bibliografia das ciências sociais se concentrou na imagem “daquele que busca” [no original “buscador”], assumindo um tipo de indivíduo demasiadamente associado ao individualismo moderno, apagando, em muitos casos, as tramas de relações sociais que produzem essas “escolhas” ou as próprias teorias que esses agentes têm sobre sua própria pessoa, as quais muitas vezes não correspondem a um agente que atua no mundo de modo tão livre. Um enfoque muitas vezes sobredimensionado pelo próprio caráter das nossas abordagens teórico-metodológicas como, por exemplo, o uso exclusivo da entrevista em uma profundidade que pode focar unilateralmente na “experiência individual” (8).

Retomando alguns dos levantamentos de um enfoque relacional e do que ele faz à subjetividade no horizonte da espiritualidade contemporânea, queremos argumentar que um olhar sobre o cotidiano que assuma  seriamente alguns aspectos vividos como reais pelos seus frequentadores pode nos ajudar a recompor um quadro um pouco mais complexo desse processo. Em certo sentido, nos interessa restituir a análise relacional descrita pelos primeiros trabalhos que, na região, descreveram a Nova Era e as terapias alternativas como parte de uma mesma rede, e estendê-la mais ainda em direção a uma trama mais ampla que incorpore o cotidiano e os regimes de subjetivação.

Entendemos a espiritualidade como uma categoria que evidentemente não é novidade, mas que adquiriu uma renovada presença contemporânea, que existe como colocada em ação, ou seja, que existe na medida em que é atuada, com grande capacidade de circulação e performatividade nos mais diversos âmbitos (19, 28, 29). Ao mesmo tempo, entendemos que essa pragmática da espiritualidade supõe uma gramática heterogênea, mas não por isso infinita e sem especificidade, que incorpora uma concepção não naturalista da causa e eficácia, uma ordem cosmológica relacional e um trabalho sobre “si mesmo” e que se manifesta em intensidades diversas que baseiam em mediadores materiais e discursivos de diferentes linhagens: esoterismos vários, com uma presença consolidada durante o século XX, a cultura self-help e tecnologias da subjetividade de origem oriental, incluindo algumas práticas ameríndias, adaptadas à vida cotidiana de coletivos urbanos das sociedades euro-americanas contemporâneas (30, 31).

Do ponto de vista da circulação cotidiana desses saberes e práticas, é possível que a tensão entre o terapêutico e o religioso/espiritual, e também suas disputas pela legitimidade em um campo ou as perspectivas sistêmicas que emergem quando o foco está colocado nos discursos públicos, adquira outro matiz. Não só é muito mais difícil recortar as esferas autônomas do terapêutico e do espiritual, como também a própria espiritualidade supõe uma trama de circuitos, de sentidos e de práticas diferenciadas. Embora o discurso público insista nas vantagens físicas, médicas e inclusive psicológicas da meditação, supervalorizando sua função no bem-estar entendido como um processo biológico e psicoemocional, a partir da vida cotidiana, as causas desse bem-estar excedem, e muito, uma definição biológica e sociopsicológica da subjetividade, incorporando uma dimensão não humana como a energia que supõe uma força vital transformadora que pode produzir mal-estar quando não circula corretamente e bem-estar quando se consegue canalizá-la e equilibrá-la.

A vida cotidiana dos atores em ação e a complexidade do que Law (13) denominou “formas não convencionais”, supõe processos de circulação e conjuntos que podem nos ajudar a repensar as pontes e articulações distintas entre o mundo médico-psicológico, as terapias alternativas e a espiritualidade Nova Era. Nesse sentido, nos parece importante a análise de Law (13) sobre os “conjuntos” em contextos religiosos, onde aparece como significativo dar uma perspectiva realista que permita ampliar a realidade das pessoas que a vivem e, nesse processo, indagar inclusive a própria noção de pessoa que está em jogo. Tal abordagem também poderia ler criticamente a perspectiva do individualismo metodológico que se concentra nos usuários ou frequentadores de práticas desse tipo e suas “eleições terapêuticas” ou suas “eleições espirituais” como “campos” ou “esferas” de ação diferenciadas.

Trecho do trabalho “Para além da terapia e da religião? uma aproximação relacional da construção espiritual do bem-estar”. (Original: Más allá de la terapia y la religión: una aproximación relacional a la construcción espiritual del bienestar”)

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