Tag: Pesquisa

Espiritualidade como cura

Espiritualidade como cura

By admin in Publicações on novembro 3, 2020

No mês de setembro, o coordenador do projeto Espiritualidade Institucionalizada, Rodrigo Toniol, fez o Coloquio Fé e Razão- Espiritualidade como cura, organizado pela Extensão Universitária do Centro Universitário Salesiano de São Paulo e também contou com a participação do Coordenador da Misão Institucional, Padre Antonio Ramos.

Na exposição, Toniol apresentou a pesquisa que vem desenvolvendo a partir da sua trajetória e dos andamentos das pesquisas que orienta e fazem parte do grupo do NUES.  O projeto maior, procura indagar os interesses pelos ussos da noção de espiritualidade no campo oficial de saúde, como ela é mobilizada e o que é capaz de mobilizar. 

Deixamos o vídeo do Coloquio aqui, acompanhem esse interessante debate:

Políticas de espiritualidad: una agenda de investigación/ Políticas de espiritualidade: uma agenda de pesquisa

Políticas de espiritualidad: una agenda de investigación/ Políticas de espiritualidade: uma agenda de pesquisa

By admin in Novidades on junho 2, 2020

El día 22 de mayo, el profesor y coordinador del proyecto “Espiritualidad institucionalizada” Dr. Rodrigo Toniol, realizó la conferencia “Políticas de espiritualidad: una agenda de investigación” organizada por el Instituto de Sociedad y Religión (ISOR) de la Universidad Católica del Uruguay.

Gracias a la invitación del director del ISOR, Nestor Da Costa y con la mediación de Valentina Pereira,  Toniol explica la trayectoria realizada como investigador en el tema y presenta el proyecto que actualmente coordina con las diferentes líneas de investigación que lo componen. Dejamos el video a disposición para quienes tienen interés en el tema y aprovechamos para difundir el proyecto en español.

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No día 22 de maio, o professor e cordenador do projeto ” Espiritualidade Institucionalizada” Dr. Rodrigo Toniol, fez a conferencia “Políticas de espiritualidade: uma agenda de pesquisa” organizada pelo Instituto de Sociedade e Religião (ISOR) da Universidade Católica do Uruguai.

A partir do convite do diretor do ISOR, Nestor Da Costa e com a mediação da Valentina Pereira, Toniol explica a trajetória realizada como pesquisador sobre o assunto e apresenta o projeto que atualmente coordena com as diferentes linhas de pesquisa que o compõem. Disponibilizamos o vídeo para quem tiver interesse no assunto e aproveitamos a oportunidade para divulgar o projeto em espanhol.

 

Chamado para relatos de sonhos e predições durante a pandemia. Llamado para relatos de sueños y predicciones durante la pandemia.

Chamado para relatos de sonhos e predições durante a pandemia. Llamado para relatos de sueños y predicciones durante la pandemia.

By admin in Novidades, Publicações on maio 17, 2020

Por Maria Luiza Assad

Você teve algum sonho marcante, desde que começou a pandemia? Algo que consegue relacionar (ou não) ao que vem ocorrendo? E, desde março, realizou algum tipo de consulta com cartomancia, tarot, astrologia, búzios ou outra técnica para tentar prever o futuro ou entender o presente nesse momento? Algo na sua relação com sonhos ou essas práticas mudou nesse período?

Esta é uma plataforma para receber relatos de sonhos ou de consultas com uma dessas práticas nesse momento. Ou mesmo aquelas que ainda ocorrerão, até o fim de nossas tentativas de quarentena.

Desde o início da epidemia/pandemia de Covid-19, muitos grupos de pesquisa vêm abrindo espaço para relatos de sonhos e outros aspectos que ajudem a entender o impacto desse momento sobre afetos, imaginação e projetos das pessoas. O espaço que gostaríamos de abrir segue essa linha. Por isso, gostaríamos de abrir esse espaço para convidar a relatar essas experiências. Mesmo que o conteúdo dos sonhos não tenha uma relação explícita com a pandemia. Os relatos serão arquivados pelo grupo e serão analisados para entender o possível impacto do que vem ocorrendo sobre nossas expectativas. Com isso, pretendemos constituir uma espécie de arquivo, mantido em sigilo que nos dê margem a pensar o impacto sobre imaginário, afetos e projetos. Apenas três pesquisadores do grupo terão acesso ao material. E esse será sigiloso desde o início.

Se você tiver uma experiência com práticas divinatórias, pode descrevê-la brevemente aqui. E se quiser descrever ainda mais, pode nos procurar por e-mail ([email protected]) e manifestar seu interesse.

Se tiver algum relato de sonho marcante ou diferente, que consiga ligar ao momento da epidemia, sinta-se convidado para contá-lo para nós. Nos diga a data (aproximada, caso não se lembre) em que ocorreu. Sugerimos que descreva seu (s) sonho (s) da forma mais simples possível, mesmo que seja muito breve, e sem procurar ser poético ou literário. Descreva as imagens, sons ou outros elementos do sonho. Aponte quando foi uma experiência mais vívida. E, se quiser, diga depois algum elemento ao qual ele te remeteu.

Não precisamos de seu nome. E isso contribui para o sigilo do processo. Mas seria interessante apontar sua idade. E você pode nos dizer se gostaria que sua experiência fosse publicada em alguma parte do blog, no futuro, em outra fase. Embora não esteja certo que publicaremos o material coletado aqui, sua preferência deve estar clara desde o início.  E, em caso de dúvida ou mudança de ideia, nos escreva. 

Pode deixar o seu relato fazendo click aqui.

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¿Has tenido algún sueño notable desde que comenzó la pandemia? ¿Algo que pueda relacionarse (o no) con lo que viene sucediendo? Y, desde marzo, ¿Has realizado algún tipo de consulta con cartomancia, tarot, astrología, conquillas o cualquier otra técnica para tratar de predecir el futuro o comprender el presente en este momento? ¿Ha cambiado algo en tu relación con los sueños o estas prácticas durante este período?

Esta es una plataforma para recibir informes de sueños o consultas con una de estas prácticas en ese momento. O incluso aquellos que seguirán ocurriendo, hasta el final de nuestros intentos de cuarentena.

Desde el comienzo de la epidemia / pandemia de Covid-19, muchos grupos de investigación han estado abriendo espacio para informes de sueños y otros aspectos que ayudan a comprender el impacto de este momento en los afectos, la imaginación y los proyectos de las personas. El espacio que nos gustaría abrir sigue esta línea. Por lo tanto, nos gustaría invitarte a informar estas experiencias. Incluso, si el contenido de los sueños no está explícitamente relacionado con la pandemia. Los informes serán archivados por el grupo y serán analizados para comprender el posible impacto de lo que está sucediendo en nuestras expectativas. Con esto, pretendemos constituir una especie de archivo, en secreto que nos permita pensar sobre el impacto en lo imaginario, los afectos y los proyectos. Solo tres investigadores del grupo tendrán acceso al material. Y esto se clasificará desde el principio.

Si tenes experiencia con prácticas adivinatorias, podes describirla brevemente aquí. Y si deseas describirlo aún más, podes comunicarte por correo electrónico ([email protected]) y expresar tu interés.

Si tenes un relato de sueño notable o diferente que puede conectar con el momento de la epidemia, no dudes en contárnoslo. Especifica la fecha (aproximada, si no lo recordas) en que ocurrió. Te sugerimos que describas tu (s) sueño (s) de la manera más simple posible, incluso si es muy breve y sin tratar de ser poético o literario. Describí las imágenes, sonidos u otros elementos del sueño. Señala cuándo fue una experiencia más vívida. Y, si queres, podes comentar algún elemento al cual te remitió.

No necesitamos tu nombre. Esto contribuye a la confidencialidad del proceso. Pero sería interesante tener en cuenta tu edad. Por otro lado, necesitamos que nos digas si te gustaría que tu experiencia sea publicada en alguna parte de este blog, en el futuro, en otra etapa. Aunque no es seguro que publicaremos el material recopilado aquí, tu preferencia debe ser clara desde el principio. Y, en caso de duda o cambio de opinión, escribinos.

 Podes dejar tu relato haciendo click aquí.  

Anamnese espiritual

Anamnese espiritual

By admin in Crônicas de pesquisas on abril 18, 2019

Aidan Valentina Fongaro

Iniciada em janeiro deste ano, esta pesquisa está interessada em acompanhar um elemento específico da intersecção entre espiritualidade e saúde, a Anamnese Espiritual. Constantemente mobilizada por médicos e psiquiatras para avaliar os potenciais efeitos clínico da espiritualidade nas condições dos pacientes, ela é um desdobramento da atenção que a área de saúde vem demonstrando, desde o final do século XX, pela dimensão espiritual do indivíduo. E ao passo que se desenvolveram pesquisas explorando estes possíveis efeitos, aos poucos estão se estruturando protocolos clínicos para capacitação dos profissionais de saúde. Protocolos que visam acessar a espiritualidade de cada paciente e manejá-la de maneira proveitosa para o tratamento de sua saúde.

Anamnese é o nome dado à entrevista realizada pelo médico com seu paciente para que o profissional da saúde possa conhecer um pouco de sua realidade e de sua condição. Assim ele pode apontar um possível diagnóstico e um tratamento adequado. Essa anamnese em especial foi desenhada para que logo nos primeiros contatos já se possa entender, com o consentimento do paciente, como se desenha sua espiritualidade e/ou religiosidade e que impacto essas categorias possuem em sua vida. É a partir dessa primeira entrevista que os profissionais de saúde podem pensar em maneiras de fazer presente a espiritualidade do paciente ao longo de seu tratamento. Isso pode se dar de maneira direta, através de técnicas desenvolvidas e aplicadas pela equipe de saúde ou de maneira indireta, quando se fornece o espaço adequado para que o paciente se trabalhe e se conecte com sua própria espiritualidade e suas questões pessoais.

A cada momento descubro novos materiais bibliográficos a respeito de como e de onde se desenvolve e se estabelece enquanto um protocolo clínico a Anamnese Espiritual. E o processo de me apropriar desse material será perene principalmente porque essa é uma característica de sua produção. Mas conforme me familiarizo com ele consigo desenhar as pistas para uma observação direcionada para analisar os efeitos da presença da Anamnese Espiritual nos hospitais e clínicas.

Existem várias pesquisas apontando efeitos positivos para os pacientes quando proporcionada atenção para sua espiritualidade (sendo a Anamnese Espiritual imprescindível para que isso se dê de maneira apropriada) mas também existem vários testemunhos de enfermeiros e médicos sobre o desconhecimento de técnicas e o despreparo para mobilizar espiritualidade de maneira eficiente.

Espero me deparar, e me preparo para analisar de maneira pertinente, tanto a aplicabilidade da Anamnese Espiritual quanto a possível resistência à sua aplicação. Além disso, que relação é estabelecida entre a instituição de saúde e seus profissionais com seus pacientes e suas diferentes concepções de espiritualidade? Que reação desperta nos profissionais de saúde quando se deparam com certas questões pessoais de cada paciente que até então se mantinham fora dos laudos e das terapias clínicas? Esses são alguns dos primeiros aspectos os quais pretendo analisar no desenrolar da pesquisa. Veremos como isso toma forma.

Divinação e ciência: sonhos, corpos e sentidos de experiências divinatórias à literatura científica

Divinação e ciência: sonhos, corpos e sentidos de experiências divinatórias à literatura científica

By admin in Crônicas de pesquisas on fevereiro 22, 2019

Maria Luiza Assad

 

Como ganha corpo o que de outro modo poderíamos considerar “efêmero”? São as pessoas, mediante seus corpos, capazes de antecipar acontecimentos por vir? Como pode ser pensada a experiência dos sentidos? E talvez mesmo de seus horizontes temporais? Em certo sentido, a pesquisa que intento realizar segue na esteira de outros trabalhos que buscam “capturar o intangível”. E posso dizer que o intuito de observar como adquire corpo o intagível, neste caso, se desdobra em duas facetas:

Por um lado, posso dizer que o “intangível” de eleição reside na esfera das experiências divinatórias – isto é, visões, sonhos premonitórios, pressentimentos e intuições que parecem se concretizar. E o objetivo é acompanhar como as pessoas (“entre nós”) se relacionam com a possibilidade de tais ocorrências: como parecem ocorrer tais experiências; como são vividas corporalmente, quais são as percepções sobre horizontes temporais e limites de corpos emergentes, como são integradas ou transformam concepções de vida etc. Através de entrevistas, pretendo mapear a relação das pessoas com o que designarei por “sensibilidades antecipatórias”. E, propositalmente, não partirei de um grupo pré-estabelecido, mas daqueles que se mostrarem disponíveis para compartilhar suas experiências referentes a esse tipo de fenômeno.

Por outro lado, o intuito se desdobra na observação de como o intangível vem recebendo corpo através de certa literatura científica. Por ora, o que posso antecipar é que parte da pesquisa deve acompanhar o deslocamento operado em meio a  abordagens científicas que usualmente tem de lidar com corpos: pensem em medicina e certas contribuições das biociências. Mas também na própria antropologia. E, em especial, naquela sua faceta de “antropologia médica”. Não por querer aprofundar subdivisões, mas pela própria forma com que necessariamente teve de lidar com o questões relativas ao corpo. Observar deslocamentos no interior da antropologia parece chave. E não apenas porque é o campo em que se insere o projeto: mas por ser “tradicionalmente” aquele que lida com as temáticas da divinação, dos limites de corpos e pessoas, e das renegociações entre o que se compreende como social e/ou natural.

Claro, trata-se mais de uma promessa inicial que, como em tantas pesquisas, pode cair por terra ao longo do seu desenvolvimento, levada a assumir outros rumos. Um ponto delicado se refere ao próprio “método” e suas razões. Por que não partir de um grupo já definido, por exemplo? Um grupo religioso, como informalmente já me foi sugerido? Posso vislumbrar (assim como provavelmente aqueles que me cercam) uma série de dificuldades de não ir a um campo situado em algum lugar específico, em momentos específicos. Uma razão, neste momento, é: porque esse tipo de recorte não permitiria ver a ocorrência/relação com dado fenômeno – seja lá como o entendamos – fora daquele domínio. Não permitiria sequer perscrutar a possibilidade de que seja mais disseminado do que se concebe.

Por fim, de certo modo isso remete à escolha pela “divinação”. Uma etnografia como a de Charles Stewart indica como sonhos-visões não apenas permitem vislumbrar a coexistência de diferentes percepções temporais, como podem incitar a ação no presente. E o interesse nesse tipo de questão foi profundamente influenciada por seus trabalhos, dentre outros. Mas o que posso dizer, além disso, é que a escolha também se inspirou no famoso ensaio de Carlo Ginzburg acerca do paradigma indiciário. 

O paradigma que poderia ser entendido como “médico”, mas também “divinatório”, dependendo de sua orientação temporal. No mesmo ensaio, Ginzburg aludia ainda à ideia de que há uma forma de conhecer marcada por uma “intuição baixa”, isto é, profundamente radicada no corpo, nos sentidos. Aquilo que reuniria os humanos às outras espécies animais. E o que certamente não deve surpreender antropólogos de inspiração fenomenológica. Aspecto que, junto a certas conversas iniciais, talvez indique que o que almejo perscrutar se encontre sob a esfera de “sensibilidades antecipatórias”; capacidades, habilidades ou formas de conhecer, sentir, antecipar que dependem do corpo. Nesse momento em que tanto se fala da dificuldade de imaginar futuros, também fui capturada pelo interesse em acompanhar as percepções a seu respeito. E do engajamento corporal que deve fazer parte desse processo.