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A arte abstrata e a espiritualidade de Hilma af Klint

A arte abstrata e a espiritualidade de Hilma af Klint

By admin in Uncategorized on abril 20, 2021

Por Isabela Mayumi e Luciana Cavalcanti

É notável a quantidade de material e informação que se pode encontrar na internet sobre a artista sueca Hilma af Klint (1862-1944). Numa rápida busca pelo nome da artista no google, encontra-se uma enorme variedade de conteúdo produzido nos últimos anos e em várias línguas, como artigos em jornais, notícias das exposições de seus trabalhos, artigos acadêmicos, biografias, textos em blogs, vídeos de blogueires comentando sobre a pintora, assim como tours pelas exposições realizadas com seus quadros em canais de museus. Certamente, esse texto se inclui nessa lista.

Nesse mar de informações sobre Hilma e seu trabalho, chama a atenção a ênfase frequente de que ela foi uma artista à frente de seu tempo consciente disso, assim como a reivindicação de que foi pioneira da arte abstrata ocidental. Em seu testamento, deixou o pedido de que suas obras só fossem expostas ao público 20 anos após sua morte, com a justificativa de que elas não seriam compreendidas antes disso – o que vai de acordo com as rejeições ocorridas enquanto estava viva.

Não cabe aqui reconstruir sua biografia, mas destacar algumas informações interessantes sobre a artista, cuja obra parece ser emblemática da relação entre espiritualidade, ciência e arte que marcou o início dos tempos modernos. Hilma af Klint, que no início de sua trajetória artística fazia paisagens, representações botânicas e vendia retratos e ilustrações, começou a desenvolver seu trabalho abstracionista à medida em que foi se envolvendo com a teosofia e a antroposofia. A título de curiosidade, uma das biografias sobre Hilma foi escrita pela artista plástica brasileira Luciana Pinheiro, que além de estudar a antroposofia há muitos anos, se autodeclara terapeuta biográfica e trabalha com pintura meditativa. Médium, a artista começou a reunir-se em 1896 com outras 4 mulheres em um grupo chamado “The Five” para a realização de sessões espíritas nas quais, além de meditações e leituras, tentavam estabelecer contatos com guias espirituais e praticavam o chamado desenho automático, o que viria a ser uma técnica também utilizada pelos abstracionistas. Segundo algumas fontes, realizou sua primeira série de pinturas abstratas, “Primordial Chaos”, ao longo do ano de 1906, impulsionada pela mensagem que recebera em uma destas sessões de que realizasse pinturas para serem colocadas em um templo.

Cenas do filme “Beyond the visible” (prints das autoras). A legenda da segunda imagem diz, respectivamente, “exalar” e “inalar”

Se Hilma procurou na teosofia, no rosacrucianismo, na antroposofia e nas reuniões com as “The Five” maneiras de entender a realidade e desenvolver seus dons mediúnicos e clarividentes para passar as mensagens espirituais que recebia, também é importante pontuar a importância e o impacto dos avanços científicos do final do século XIX e início do XX em sua produção. Ao longo da vida, a artista acompanhou a descoberta das ondas de rádio, raios-X, a existência do núcleo atômico, mecânica quântica, eletromagnetismo e radioatividade – em suma, a existência de coisas invisíveis a olho nu (isto é, para além do que é visível). Isso abriu portas para que ela pudesse pincelar este “novo” mundo sendo desvendado pela ciência. Cabe dizer que, com o passar dos anos e com o desenvolvimento dos próprios estudos e habilidades, Hilma foi aos poucos tornando-se independente desses conceitos e das técnicas artísticas, desenvolvendo maior autonomia para interpretar e representar as mensagens que recebia em suas telas.

Grupo IV “The ten largest” n.1 – Childhood; e n.10 Old age – 1907

 

Assim, são temas de suas pinturas as descobertas científicas, as fases da vida, a natureza, a evolução e as dualidades, como masculino e feminino, espírito e matéria. Dedicou, por exemplo, uma série aos átomos, e outra para retratar diversas religiões, numa linguagem que sugere uma espécie de “matéria comum”, forte influência da teosofia. Reproduzimos algumas das pinturas dessas séries aqui.

The Atom Series, No. 1;  e No. 8 – 1917

No. 2a, The Mahatmas Present Standing Point; Buddhas Standpoint in the Earthly Life No. 3; e No. 3C, The Mohammedan Standpoint – 1920

 

A busca de Hilma por alcançar compreensões profundas sobre a vida, o mundo e a realidade, sobre o visível e o invisível a partir de uma perspectiva da espiritualidade é uma das coisas que a une aos artistas do movimento abstracionista europeu do início do século XX. Wassily Kandinsky, por exemplo, considerado e autodeclarado precursor da pintura abstrata, publicou o notório ensaio “Do espiritual na arte” em 1912, além de que mantinha contato com a Teosofia e a Antroposofia e da participação em rituais pagãos russos; o pintor checo František Kupka, assim como af Klint, interessou-se pelo tema do ocultismo, era médium e se comunicava com espíritos; e Piet Mondrian foi membro da Sociedade Teosófica Holandesa.

Seus quadros – muitos com grandes dimensões – possuem cores vibrantes, cheios de formas geométricas, florais, espirais, juntamente a, por vezes, letras e palavras criadas, símbolos retirados de diferentes religiões e de outros sistemas de conhecimento. Apesar de haver semelhanças entre suas obras e as dos abstracionistas mais conhecidos, é possível notar, por exemplo, uma presença maior de elementos e representações da natureza, como aves, árvores, folhas e flores. Mas o que distingue Hilma desses nomes talvez seja mais do que a identidade autoral e originalidade indiscutíveis de seus quadros. Devido à sua condição de mulher, construiu sua jornada de maneira solitária e reservada; salvo as influências já mencionadas da teosofia, antroposofia e outros, pouco se sabe acerca de suas influências artísticas. Nesse sentido, ela esteve fora do movimento abstracionista, sem manter diálogo ou contato com pintores e curadores de arte que juntos tiveram, também, a espiritualidade e dissolução do real como tema de suas obras e marcaram o movimento vanguardista do abstracionismo.

Série SUW/UW, Grupo IX/SUW, The Swan, No. 8; e Série SUW/UW, Grupo IX/SUW, The Swan, No. 9 – 1915

 

De um lado, nos parece haver um movimento de “reescrita” da história da arte, de modo a incluir Hilma af Klint como uma, senão a, pioneira do abstracionismo – algo que talvez encontre ressonância na reivindicação de maior reconhecimento a tantas mulheres artistas que foram apagadas de uma história escrita por homens – europeus, é preciso marcar. No documentário “Beyond the visible”, lançado ao final de 2019, não parece ser à toa a forte  presença feminina nas historiadoras da arte que comentam sobre Hilma e seu trabalho. Além disso, a atenção dada ao fato de que ser uma mulher colocou desafios tanto em sua trajetória profissional e artística quanto espiritual põe o tema em destaque.

Por outro, a grande repercussão que a “descoberta” recente de Hilma pareceu ter no mundo ocidental – o que parece coincidir em alguma medida com a previsão de que suas pinturas só seriam compreendidas e apreciadas num momento posterior ao qual ela viveu – revela alguns ecos das reflexões que organizaram o movimento abstracionista no mundo contemporâneo. A elaboração de exposições e as discussões, tanto no mundo da arte quanto no mundo da ciência, sobre a dimensão da vida humana entendida como espiritualidade, não é algo tão recente nem raro. Ao contrário, como temos discutido ao longo da realização da pesquisa Espiritualidade Institucionalizada, é algo que acompanha e constitui o próprio processo de modernização das sociedades ocidentais, com variações e especificidades locais.

Em sua constante pesquisa sobre o visível e o invisível, sobre diversas formas de conhecimento e de crenças, assim como numa tentativa de retratar e comunicar aquilo que lhe era mostrado por guias espirituais, Hilma parece ter sido capaz de sensibilizar a atenção de um grande público que veio a conhecê-la nos últimos anos, assim como de mobilizar uma intensa tentativa de reconstrução desse capítulo da história da arte europeia. Se a modernidade significou o desencantamento do mundo pela compreensão da realidade do ponto de vista científico, na mesma medida ganhou força o tema da espiritualidade e as buscas por descrever e retratar o espiritual. Nas mais de mil pinturas e mais de vinte e cinco mil páginas de anotações, ainda há muito o que ser explorado nessa fascinante e inspiradora figura que por tanto tempo permaneceu desconhecida. A extensa obra de Hilma af Klint aparece como mais um elemento para se refletir sobre a modernidade e os cruzamentos de interesses e práticas humanos. De toda forma, seus desenhos, pinturas e estudos conseguem nos levar a outros lugares que não aquele em que nos encontramos.

Tree of Knowledge, No. 5 (1915); e The Evolution, No. 10 (1908)

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Imagem destacada:

Group V, The Seven-Pointed Star, No. 1 (1908) by Hilma af Klint

Referência Fílmica:

“Beyond the visible – Hilma af Klint”. Direção: Halina Dyrschka. Suécia, 2019 (1h 35m).

 

Roda de conversa: “Uma boa hora? Experiências de gestação, parto e puerpério”

Roda de conversa: “Uma boa hora? Experiências de gestação, parto e puerpério”

By admin in Eventos, Uncategorized on março 16, 2021

Na próxima quinta (18/03) às 14h, Giorgia Nascimento, doutoranda no PPGAS da Unicamp e integrante do NUES, participará da roda de conversa: “Uma boa hora? Experiências de gestação, parto e puerpério”, junto a Isabel Löfgren organizada pelo Pavão Cultural.
O evento vai acontecer via Zoom e para participar é preciso se inscrever seguinte formulário aqui linkado.

Giorgia Nascimento é graduada em Ciências Sociais pela UNICAMP e doutoranda em Antropologia Social na mesma Instituição. Desenvolve pesquisa na área de Antropologia da Saúde, com foco nas temáticas de gênero, parto, maternidades, saúde reprodutiva e da população negra. Apresentará, na roda, o tema de sua pesquisa de doutorado “Uma boa hora? Diferenças na produção de experiências de gestação, parto e puerpério.” apontando raça e classe como marcadores da diferença nos processos de gestação, parto e puerpério em experiências na RMC.
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Isabel Löfgren é artista visual, professora e pesquisadora. Sua prática se situa na confluência entre arte, novas mídias e arquitetura. Seus interesses incluem diáspora, memória e espaços de fluxos informacionais narrativos.
A partir de escavações realizadas na área portuária do Rio de Janeiro, quando foram descobertos importantes marcos do período escravagista no Brasil, Isabel e Patricia Gouvêa iniciaram a pesquisa que levou à criação da exposição Mãe Preta, que já foi montada em diversas cidades brasileiras e foi tema de debates internacionais.
Nesta roda, Isabel apresentará a pesquisa que resultou na exposição Mãe Preta.

Primeira defesa do grupo: religião e espiritualidade em debates recentes dos saberes “psi”

Primeira defesa do grupo: religião e espiritualidade em debates recentes dos saberes “psi”

By admin in Eventos, Uncategorized on março 9, 2021

Na manhã da última quinta-feira de fevereiro, tivemos a oportunidade de reunirmos, ainda que virtualmente, para assistir a primeira defesa de uma pesquisa gestada e desenvolvida no NUES. Trata-se da dissertação de mestrado de Lucas Baccetto, que foi aprovado e agora segue para o doutorado em Antropologia Social na Unicamp. A banca da defesa contou com es professores Dra. Carly Barboza Machado (UFRRJ), Dr. Emerson Alessandro Giumbelli (UFRGS) e Dr. Rodrigo Ferreira Toniol (UNICAMP) como presidente.

Reproduzimos aqui título e resumo da dissertação:

Diagnosticando o sagrado: religião e espiritualidade em debates recentes dos saberes “psi”

Esta dissertação tem como objeto debates recentes realizados por psiquiatras e psicólogos em torno do tema da religião e da espiritualidade. O foco empírico é a criação, em 1994, de duas categorias diagnósticas no principal guia de diagnósticos psiquiátricos nos Estados Unidos, o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM): “problema religioso ou espiritual” e “transtorno de transe dissociativo”. A análise desenvolvida se centra sobre os modos como os propositores desses dois diagnósticos articulam uma série de categorias psicológicas e antropológicas para conceitualizar as experiências religiosas e espirituais como fenômenos normais ou como psicopatologias, situando suas produções na psicologia transpessoal e nos estudos sobre dissociação psicológica. A partir da leitura de artigos científicos, obras acadêmicas e entrevistas gravadas, busca-se compreender como são produzidos novos e distintos entendimentos psicológicos sobre fenômenos como o transe religioso, a possessão espiritual e a experiência transcendental.

 

I Reunião Latino-americana de Estudos da Espiritualidade. I Reunión Latinoamericana de Estudios de Espiritualidad

I Reunião Latino-americana de Estudos da Espiritualidade. I Reunión Latinoamericana de Estudios de Espiritualidad

By admin in Eventos, Novidades, Uncategorized on março 1, 2021

A I Reunião Latino-americana de Estudos da Espiritualidade tem como objetivo criar um espaço de intercâmbio entre pesquisadores e pesquisadoras de diferentes países da América Latina, interessados e que trabalhem com o tema da espiritualidade. Com intuito de trocar contextos empíricos de pesquisa, abordagens teóricas e metodológicas, essa reunião será realizada de modo virtual e terá o formato de um seminário fechado. Não se trata de um evento acadêmico para apresentação de papers, mas sim uma reunião de trabalho para favorecer o diálogo e intercâmbio entre pesquisadores. Inicialmente indicamos três eixos de debate centrais, todos eles articulados com debates sobre espiritualidade: práticas “orientalizantes”, terapias alternativas/complementares e política.

O evento receberá inscrições de graduandos, pós-graduandos e pesquisadores seniores. Para inscrição, solicitamos o preenchimento do formulário: https://docs.google.com/forms/d/11PXYEb3hfXUJMGaOC1GKPfdgVib22vboOmb3nDB2aNY

Para mais informações pode entrar em contato no seguinte e-mail: [email protected]

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El I Encuentro Latinoamericano de Estudios de Espiritualidad tiene como objetivo crear un espacio de intercambio entre investigadores e investigadoras de diferentes países de América Latina interesados y que trabajen con el tema de la espiritualidad. Con la intención de intercambiar contextos de investigación empírica, enfoques teóricos y metodológicos, este encuentro se celebrará de forma virtual y tendrá el formato de un seminario cerrado. No se trata de un evento académico para la presentación de papers, sino de una reunión de trabajo para promover el diálogo y el intercambio entre investigadores. Inicialmente señalamos tres ejes de debate, todos ellos articulados con los debates sobre la espiritualidad: prácticas “orientalizantes”, terapias alternativas/complementarias y política.

El evento recibirá solicitudes de estudiantes de grado, postgrado e investigadores senior. Para inscribirse, llená el siguiente formulario: https://docs.google.com/forms/d/11PXYEb3hfXUJMGaOC1GKPfdgVib22vboOmb3nDB2aNY

Para más información, podés entrar en contacto con nosotros a través del siguiente correo electrónico: [email protected]

 

Terapias Holísticas e Espiritualidade

Terapias Holísticas e Espiritualidade

By admin in Novidades, Uncategorized on outubro 8, 2020

Durante o Festival do Conhecimento, evento virtual promovido pela UFRJ entre os dias 14 a 24 de julho de 2020, Cecilia Bastos e Thaís Assis, integrantes do NUES, discutiram sobre experiências presentes no universo das espiritualidades e das práticas de autoconhecimento e autocuidado.

 

Com base em suas pesquisas de cunho sócio-antropológico sobre um grupo de vedanta e a respeito da formação e atuação de terapeutas holísticos, Cecilia Bastos aborda como um grupo de praticantes de yoga e meditação entende o conceito “yoga” e o estilo de vida de karmayoga. Além disso, analisa as noções de sofrimento, felicidade e desapego para entender o ideal nativo de “conduzir a vida com equilíbrio”. E Thaís Assis apresenta os princípios e fundamentos das terapias holísticas e também as principais características e mudanças históricas identificadas no âmbito da busca holística por saúde, bem-estar e desenvolvimento espiritual.

 

As duas discutem, a partir disso, o processo de transformação por que passam os praticantes, considerando que os ensinamentos não consistem apenas em percepções mentais, mas são incorporados e vivenciados, influenciando seu ethos e visão de mundo.

O registro do papo virtual pode ser conferido aqui:

 

 

(Mc)Mindfulness e as políticas da respiração

(Mc)Mindfulness e as políticas da respiração

By admin in Novidades, Publicações, Uncategorized on agosto 25, 2020

Por Chloe Asker para Life of Breath

Tradução por Giovanna Paccillo

Durante o tempo em que pesquisava e escrevia o meu doutorado houveram diversos protestos que deixaram o centro de Londres parado. Essas manifestações foram organizadas e instituídas por um grupo ativista chamado Extinction Rebellion. Um momento pungente para mim foi quando os manifestantes, durante a ocupação da ponte Westminster, se uniram para um momento coletivo de contemplação, reflexão e meditação. Eles foram guiados por uma meditação de mindfulness que explorava a “união” coletiva da respiração que nos une, investigada pelas qualidades da compaixão e do cuidado.

 

Nós todos compartilhamos o ar

Sentimos nossa conjunção enquanto respiramos

De que nós estamos realmente aqui em união

Na grande expressão amorosa de unidade, compaixão, sabedoria, verdade e cuidado

(Transcrição de um vídeo do Youtube uploaded por “Campfire Convertion”, 2018).

 

 

Ativistas da Extinction Rebellion bloqueiam a ponte Waterloo meditando (Foto por Francesca Harris, em Abrahams, 2019).

A respiração é política, e aqui é politizada – conectando nossos corpos aparentemente individuais e delimitados à Terra e seus ritmos e mudanças. Como descreve Thich Nhat Hanh em seu depoimento para a Convenção-quadro das Nações Unidas sobre mudança climática (UNFCCC): ‘ao respirar com o mindfulness e contemplar seu corpo, você percebe que você é a Terra. Você percebe que a sua consciência é também a consciência da Terra. Olhe ao redor – o que você vê não é o ambiente, é você.’

No entanto, entre as humanidades e as ciências sociais críticas, o mindfulness tem sido interrogado e analisado como uma das práticas terapêuticas mais centrais que existem nas culturas neoliberais da modernidade tardia. O termo McMindfulness descreve o zeitgeist do mindfulness contemporâneo, no qual o mindfulness é empacotado e vendido como a cura para as ‘influências nocivas do capitalismo’ (Purser 2019: 19), responsável pelo estresse, ansiedade e depressão. Mas, em vez disso, ele [o mindfulness] agiria como uma forma de ‘otimismo cruel’ (Berlant 2011). No argumento McMindfulness, o mindfulness é encarado como algo que individualiza e despolitiza as condições de saúde mental. Fazendo isso, a pessoa se torna a própria responsável pelo seu estresse, e para lidar com a situação, ela precisaria gerir e mudar a si mesma. Essa lógica ignora as inúmeras forças estruturais que podem produzir depressão, ansiedade e problemas de saúde. Dessa maneira, o mindfulness funcionaria como outra tecnologia reguladora que atua ‘como uma espécie de barreira invisível que restringe o pensamento e a ação’ (Fisher 2009: 16).

No meu trabalho, lidei com o argumento McMindfulness, tendo testemunhado e experimentado o mindfulness de uma maneira diferente. Parte disso vem de minhas experiências vividas de mindfulness (em cursos e retiros de oito semanas) e de um cultivo consciente corporeificado da respiração. Seguindo os ritmos da respiração, podemos começar a desfazer limites fixos entre o eu e o mundo, mente e corpo, dentro e fora, natureza e cultura, e assim por diante. Cultivar a respiração consciente através do mindfulness não é ‘desviar-se das questões sociais e políticas’ (Engelmann 2015: 431). Mas, em vez disso, é uma forma de política e ética corporeificada que pode nos abrir para as maneiras pelas quais somos intrinsecamente imbricados com outros humanos e não-humanos – particularmente na fase de uma ‘extinção em massa’ (Extinction Rebellion nd) ou ‘aniquilação biológica’ (Ceballos, Ehrlich, e Dirzo 2017).

Se voltar para a respiração se tornou vital na era da destruição ambiental, no qual o próprio ar e oxigênio que dependemos para respirar está sendo ameaçado pelo rápido declínio de populações de corais pela acidificação, drenagem e poluição dos oceanos (Loria 2018). Além disso, o direito de respirar um ar limpo, seguro e não poluído está em perigo – principalmente entre comunidades minoritárias e pessoas negras. Por exemplo, em Noxious New York, Sze (2006) mostra o movimento de justiça ambiental na cidade de Nova York que foi impulsionado pelas altas taxas de asma em comunidades minoritárias. Ativistas argumentam que essa desigualdade é uma forma de racismo ambiental. A respiração plena não é igual. O acesso à respiração segura do ar é um problema político e ético contemporâneo.

Há também uma aspiração política e esperançosa de se ter espaço para respirar entre as condições violentas que essas forças perpetuam. A frase ‘não consigo respirar’, proferida por Eric Garner em seus últimos momentos, tornou-se o momento crucial do movimento Black Lives Matter nos Estados Unidos (Lowery 2019). Era uma descrição literal de sua incapacidade de respirar devido à natureza violenta de sua prisão. Mas as palavras ‘eu não consigo respirar’ também acenderam algo mais, falando em sentido metafórico aos desafios e violências. Os homens negros enfrentam um ambiente hostil, onde sua própria capacidade de respirar livremente está sendo impedida pela negação contínua de seus direitos civis (Aymer 2016).

Juntamente com o perigo da emergência climática que afeta desproporcionalmente as comunidades raciais(1), a capacidade de respirar com segurança também é ameaçada pelo ar muito poluído que é inspirado / expirado. Nesse contexto, ‘não consigo respirar’ é, portanto, uma questão de supremacia branca e destruição ambiental. E assim, a aspiração de respirar livremente é um precedente político:

Eu penso que a luta por uma vida suportável é a luta para queers terem o direito de respirar. Ter espaço para respirar, ou serem capazes de respirar livremente […] é uma aspiração. Com a respiração vem a imaginação. Com a respiração vem possibilidade. Se a política queer é sobre liberdade, ela talvez signifique simplesmente a liberdade para respirar” (Ahmed 2010: 120).

Contudo, voltando conscientemente para a respiração, podemos começar a perceber um potencial ou abertura ético. Um que amplia o testemunho além do humano (Engelmann 2015), vinculando-nos ao meio ambiente; e como o cultivo de uma força ou energia específica que é um ato político ou uma ‘escolha perpétua’ (Skof e Berndtson 2018). Voltar-se para a respiração pode ser uma recusa radical das forças de governamentalidade neoliberal e supremacia branca arraigadas na nossa cultura de trabalho 24/7 da Ética Protestante (Crary 2014). Para alguns, estar em silêncio e vagareza através da respiração é uma forma de política corporeificada que trabalha para romper o “culto da rapidez” (Honore 2010: 3) – o próprio ritmo que o capitalismo exige. Em última análise, tudo o que você precisa fazer é respirar.

Yumi Sakugawa in Juxtapoz, 2016

Ter a liberdade de respirar pode envolver o cultivo consciente da respiração por meio de pedagogias corporais de respiração. Shahjahan (2015) argumenta que pedagogias críticas corporeificadas, como o mindfulness, podem ser usadas para descolonizar o ritmo de nossos corpos, diminuindo a velocidade ‘para acessar fontes alternativas de conhecimento, incluindo maneiras corporificadas de conhecer’ (p.499). Formas críticas de mindfulness, por exemplo, estão trabalhando para se apoiar no desconforto da fragilidade e supremacia branca (e. g. Mindfulness for the People), e para descolonizar formas de “imperialismo cognitivo” enraizadas nas vias neurais do cérebro (e.g.Indigenous Mindfulness).

Apesar de o meu trabalho focar na argumentação acerca de elementos do movimento Mcminful, eu percebei que há mais do que essas culturas aparentemente apolíticas. Na minha tese, eu argumento que o mindfulness cultiva uma forma de ativismo silencioso e de ética através do encantamento de encontros com não-humanos que provocam reflexão e ação sobre vulnerabilidade ambiental. Descobri que, por meio do nosso encontro com a respiração consciente, ganhamos insights. Um desses insights é o de que há mais no mindfulness do que no Mcmindfulness.

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(1) Nota de tradução: no texto original “communities of colour”.

Este texto foi originalmente publicado no site do Life of Breath. O Life of Breath foi um projeto interdisciplinar de pesquisa de 5 anos de duração (2015-2020) financiado pelo Welcome Trust e pensado, principalmente pela Prof. Jane Macnaughton (Durham University) e pela Prof Havi Carel (University of Bristol). 

Referências bibliográficas:

Abrahams, Matthew. 2019. “The Buddhists of Extinction Rebellion.” Tricycle: The Buddhist Review. September 16, 2019. https://tricycle.org/trikedaily/extinction-rebellion-buddhists/.

Ahmed, Sara. 2010. The Promise of Happiness. Durham [N.C.]: Duke University Press.

Aymer, Samuel R. 2016. “‘I Can’t Breathe’: A Case Study—Helping Black Men Cope with Race-Related Trauma Stemming from Police Killing and Brutality.” Journal of Human Behavior in the Social Environment 26 (3–4): 367–76. https://doi.org/10.1080/10911359.2015.1132828.

Berlant, L. 2011. Cruel Optimism. Duke University Press.

Ceballos, Gerardo, Paul R. Ehrlich, and Rodolfo Dirzo. 2017. “Biological Annihilation via the Ongoing Sixth Mass Extinction Signaled by Vertebrate Population Losses and Declines.” Proceedings of the National Academy of Sciences 114 (30): E6089–96. https://doi.org/10.1073/pnas.1704949114.

Crary, Jonathan. 2014. 24/7: Late Capitalism and the Ends of Sleep. London: Verso Books.

Engelmann, Sasha. 2015. “Toward a Poetics of Air: Sequencing and Surfacing Breath.” Transactions of the Institute of British Geographers 40 (3): 430–44. https://doi.org/10.1111/tran.12084.

Extinction Rebellion. n.d. “The Emergency.” Extinction Rebellion (blog). Accessed January 27, 2020. https://rebellion.earth/the-truth/the-emergency/.

Fisher, Mark. 2009. Capitalist Realism: Is There No Alternative? John Hunt Publishing.

Honore, Carl. 2010. In Praise of Slow: How a Worldwide Movement Is Challenging the Cult of Speed. Hachette UK.

Loria, Kevin. 2018. “The Quest to Save the Fragile Reefs Earth’s Oceans Depend On.” Business Insider. April 12, 2018. https://www.businessinsider.com/coral-reef-bleaching-ocean-acidification-solutions-2018-4?r=US&IR=T.

Lowery, Wesley. 2019. “‘I Can’t Breathe’: Five Years after Eric Garner Died in Struggle with New York Police, Resolution Still Elusive.” Washington Post, June 14, 2019. https://www.washingtonpost.com/national/i-cant-breathe-five-years-after-eric-garner-died-in-struggle-with-new-york-police-resolution-still-elusive/2019/06/13/23d7fad8-78f5-11e9-bd25-c989555e7766_story.html.

Purser, Ron. 2019. McMindfulness: How Mindfulness Became the New Capitalist Spirituality. Watkins Media.

Shahjahan, Riyad A. 2015. “Being ‘Lazy’ and Slowing Down: Toward Decolonizing Time, Our Body, and Pedagogy.” Educational Philosophy and Theory 47 (5): 488–501. https://doi.org/10.1080/00131857.2014.880645.

Skof, Lenart, and Petri Berndtson, eds. 2018. Atmospheres of Breathing. Albany, New York: State University of New York.

Sze, Julie. 2006. Noxious New York: The Racial Politics of Urban Health and Environmental Justice. MIT Press.

Uma boa hora? Diferenças na produção de experiências de gestação, parto e puerpério.

Uma boa hora? Diferenças na produção de experiências de gestação, parto e puerpério.

By admin in Uncategorized on fevereiro 11, 2020

Por Giorgia Carolina do Nascimento

Sobretudo a partir dos anos 2000, têm despontado no Brasil ativismos em torno da bandeira pela “humanização do parto e nascimento”. Dessa prerrogativa derivam políticas públicas desenvolvidas pelo SUS e diversas produções acadêmicas. Ao mesmo tempo, nas últimas décadas, setores do movimento negro atuam pela criação e implementação de políticas reparatórias e específicas para essa população enquanto forma de combater iniquidades, como é o caso da Política Nacional de Saúde Integral da População Negra (PNSIPN).

Diante desse cenário e partir de um olhar para produção de diferenças nos processos de gestação, parto e puerpério, tenho buscado entender de que modos as narrativas de mulheres negras e/ou as de classes populares tensionam ou corroboram discursos correntes sobre o parto – especificamente o biomédico tido hegemônico, os do estado e os das ativistas pelo “parto humanizado”, em suas diversidades práticas e discursivas. Nesta pesquisa, que se iniciou em 2018, tenho atentado para como, sobretudo, mulheres negras e/ou as de classes populares, mobilizadas por suas experiências, agenciam noções de “bom parto”  (PULHEZ, 2015).  Neste percalço, raça e classe despontam como categorias sociológicas privilegiadas e, ainda, reflexões sobre corpo e experiência, feminismos negro e interseccional e colonialidade  dão sustentação teórico-metodológica. 

Por abranger diferentes níveis de complexidade e serviços de atenção ao pré-natal, parto e puerpério no SUS, o volume do material, fruto do trabalho de campo realizado especialmente em 2019, fez com que a dissertação se tornasse uma tese. A partir de então, atenta a questões êmicas referentes à dimensão da espiritualidade, o objeto de pesquisa se ampliou e passou a aderir ao tema do projeto “Espiritualidade Institucionalizada”.

O trabalho de campo, em sua maior parte, já foi realizado. Nesta etnografia multissituada, além do acompanhamento de mulheres pela cidade de Campinas, figuram três instituições da região: Centros de Saúde na cidade de Campinas, o Centro de Atenção Integral a Saúde da Mulher (CAISM) e o Hospital Estadual de Sumaré (HES). Nesta última, um hospital que atende principalmente aquelas cuja gestação é classificada como alto risco, foi onde realizei a etapa mais recente e ainda não analisada da pesquisa. Ali estive em contato direto com as mulheres em parturição e no puerpério imediato e foi, sobretudo, onde a espiritualidade aparece como fator importante no campo; por conformar as experiências das mulheres, passa a atravessar a pesquisa de maneira mais significativa. 

Também ao não separar a experiência do fazer estatal é que minha pesquisa ganha aderência ao projeto “Espiritualidade Institucionalizada”: as políticas públicas de saúde direcionadas à população negra são exemplo disso. No caso da PNSIPN, coloca-se a possibilidade de setores desta população terem suas práticas de saúde não biomédicas respaldadas em ambientes institucionais, no sentido de legitimar a espiritualidade como um fator de saúde. Ao tratar, especialmente, da “valorização de práticas populares” – ou seja, àquelas associadas ao campo do “tradicional” – a PNSIPN sugere interessantes relações a serem investigadas nesse novo momento da pesquisa. Caberá, assim, nos próximos anos, analisar a produção e implementação da PNSIPN e sua relação com os processos de gestação, parto e puerpério, as categorias de diferenciação e a dimensão da espiritualidade

O campo vêm mostrando, assim como aponta a hipótese do projeto “Espiritualidade Institucionalizada”, não apenas que categoria espiritualidade tem adquirido cada vez mais legitimidade no campo da saúde, como também parece apontar outros modos de entender como essa legitimação ocorre, ao passo que tanto as narrativas e experiências das interlocutoras de pesquisa, os discursos ativistas, quanto a PNSIPN sugerem interessantes relações entre raça, classe, processos de gestação, parto e puerpério e espiritualidade.

É dessa maneira que, enquanto proponho olhar para os diferentes lados do triângulo escaleno e para a reciprocidade das relações entre a experiência e a ponta dos serviços, o estado e as políticas públicas e os ativismos pela humanização do parto, a espiritualidade – assim como categorias de diferenciação tais como raça, classe e outras – se destaca como linha que conecta diferentes atores nessa malha. Ainda, ao privilegiar raça e classe como importantes categorias sociológicas, e ao tomá-las enquanto experiência corporificada, sugiro que um olhar interseccional para as diferenças na conformação dos processos de gestação, parto e puerpério pode também ampliar os modos de pensar a relação entre saúde e espiritualidade.

Referência: PULHEZ, Mariana Marques. Vítimas de violência obstétrica: conflitos éticos em torno da legitimação de uma categoria. In: XI Reunión de Antropologia del Mercosur, 2015, Uruguai. Ponencias de Grupo de Trabajo 3, 2015.

Espiritualidade Política

Espiritualidade Política

By admin in Uncategorized on agosto 30, 2019

No mês de agosto, Rodrigo Toniol, coordenador do projeto de pesquisa “Espiritualidade Institucionalizada”, publicou uma resenha crítica do livro “O Enigma da Revolta”. Disponibilizamos aqui os links para o texto em sua versão em português, publicada no Jornal O Estado de São Paulo, e em castellano, publicada no blog da Red Diversa. Também mencionamos uma entrevista realizada com Toniol sobre o tema, publicada pelo Instituto Humanitas, da Unisinos.

Texto em português – https://cultura.estadao.com.br/blogs/estado-da-arte/espiritualidade-politica-e-nossa-imaginacao-de-outros-futuros/

Texto em castellano – http://www.diversidadreligiosa.com.ar/blog/foucault-y-la-espiritualidad-politica/?fbclid=IwAR21SH5s5MQAlci169ZrdLzDzWY6KvVBIdeGVdtoyilhomUXeT53sp5hOGM

Entrevista – http://www.ihu.unisinos.br/592089-espiritualidade-politica-e-a-possibilidade-de-outros-futuros-entrevista-especial-com-rodrigo-toniol

Entre espiritualidade e ciência: debates e disputas

Entre espiritualidade e ciência: debates e disputas

By admin in Uncategorized on agosto 19, 2019

Por Luciana Cavalcanti

O termo “espiritualidade” se revela extremamente amplo e de difícil definição, sendo muitas vezes associado a um distanciamento das pessoas das instituições religiosas, por um lado e, por outro, a uma ênfase na valorização da dimensão subjetiva da experiência do sagrado ou do transcendente. Além disso, esse termo tem se mostrado relevante para a medicina e a ciência em geral, sendo frequentemente mobilizado, em uma tendência mundial de atenção a esse tema pelo viés da saúde e do bem estar. No entanto, o caráter abrangente e pouco delimitado da palavra torna muito complexas as discussões sobre o seu uso no campo da saúde.

Como tem sido observado por nosso grupo, nos diversos projetos que compõem a pesquisa “Espiritualidade Institucionalizada”, é marcante a percepção de agentes e instituições da área da saúde (internacionais e nacionais) de que a espiritualidade constitui uma dimensão da saúde humana, sendo que, em geral, essa categoria é mobilizada como um fator positivo para o bem estar.

Complementarmente às pesquisas em andamento do NUES, preocupadas em identificar o crescente uso da categoria nos campos da clínica médica, das políticas públicas e pesquisas científicas na área da saúde no Brasil, que associam a “espiritualidade” como um fator de maior saúde, pretendo olhar para o papel de uma ciência que adota o lugar do ceticismo e contesta os desdobramentos dessa tendência observada.

Para isso, acompanharei a atuação do Instituto Questão de Ciência (IQC), uma instituição de divulgação científica inaugurada no final de 2018, na cidade de São Paulo, e que declara ter como missão lutar para que as políticas públicas do país tenham embasamento científico, combatendo, assim, o desperdício de dinheiro público. Quero atentar-me ao discurso adotado pelo Instituto, tentando identificar os possíveis elementos de um certo cientificismo que é mobilizado para criticar aberta e duramente diversos tipos de terapias alternativas, como a homeopatia e o reiki, colocadas pelo IQC num mesmo grupo junto a diversas outras, sob a denominação de “pseudociências”.

Num rápido percorrido pela revista online do instituto, é possível identificar uma defesa obstinada da importância das evidências e comprovações científicas para as questões de saúde e para a vida pública de uma maneira geral, como forma de tornar as políticas e os investimentos públicos válidos. Terei como foco, portanto, os debates que tomam lugar a partir das contestações que a Ciência com C maiúsculo faz a algumas práticas que, de certa forma, são consequência da ideia de que “espiritualidade faz bem para a saúde”, mas não só, como é o caso de terapias que simplesmente se baseiam em outros sistemas de conhecimento.

Nesse sentido, baseada na perspectiva teórica da controvérsia, pretendo analisar as discussões que se produzem entre o IQC e os diversos agentes envolvidos, tais como os cidadãos que usam esses tratamentos, terapeutas, biólogos, médicos, físicos, jornalistas, a opinião pública, políticos e políticas públicas e, agora, antropólogos. Tais atores se mobilizam em debates sobre a efetividade das terapias alternativas e os seus processos de institucionalização, seja no sistema de saúde ou no apoio a pesquisas. A controvérsia também toca a questão da validade ou da legitimidade desses tratamentos, questionados por um olhar científico, acabando por levar a disputas sobre o que deve orientar o investimento público, sendo, assim, esse tema de interesse social.

Em um contexto político de ataques direcionados à ciência e à educação, assim como de desmonte da máquina pública e de cortes em outras áreas, o papel da divulgação científica mostra-se importante pelo seu caráter informativo, desmistificador e contestador. No entanto, me parece necessário, e é isso que pretendo fazer em minha pesquisa, atentar-se para o lugar dos debates e disputas, intrínsecos a uma realidade que se mostra plural e, muitas vezes, contraditória.