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Natureza e Educação

Natureza e Educação

By admin in Novidades on abril 6, 2021

A sexta feira 6 de abril a professora e pesquisadora do nosso grupo de pesquisa Isabel Carvalho, participará de uma mesa sobre Educação Ambiental no Brasil junto a Ailton Krenak e Marcos Sorrentino, intitulada “Natureza e Educação. Caminhos para a questão ecológica/ ambiental no Brasil“.

A mesa ocorrerá às 16:00 hs e é parte da programação do seminário online organizado pelo Fundo Brasileiro de Educação Ambiental (FunBEA) com o objetivo de comemorar os 10 anos do FunBEA que acontecerá do 5 ao 9 de abril. 

Para mais informação sobre, faça click aqui: seminário FunBEA 

Uma medicalização da religião e da espiritualidade?

Uma medicalização da religião e da espiritualidade?

By admin in Novidades, Publicações on março 30, 2021

Por Lucas Baccetto

Nos últimos dois anos, me dediquei à realização de minha pesquisa de mestrado que tinha como interesse alguns debates realizados por psiquiatras e psicólogos em torno da questão da religião e da espiritualidade. Esse esforço se encerrou recentemente com a cerimônia de defesa de minha dissertação, seu produto final, que contou com a banca avaliativa composta por Carly Machado (UFRRJ) e Emerson Giumbelli (UFRGS), e presidida por Rodrigo Toniol (UFRJ), meu orientador durante esses anos. Como contei neste blog em 2019, a pesquisa se centrou na criação e inclusão em 1994 de duas categorias no principal guia de diagnósticos psiquiátricos dos Estados Unidos, o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM). Ambas as categorias, “transtorno de transe dissociativo” e “problema religioso ou espiritual”, introduziam explicitamente o tema das experiências religiosas e espirituais no DSM, algo até então inédito no manual. Optei por dedicar cada capítulo da dissertação a um âmbito particular do debate em questão: enquanto no primeiro capítulo me debruço sobre a concepção do DSM-IV, nos dois capítulos restantes abordo parte da literatura que sustenta cada uma das duas novas categorias diagnósticas, passando pelos estudos sobre dissociação psicológica e pela psicologia transpessoal.

Como dar conta desse processo recente no qual psiquiatras e mesmo alguns psicólogos passam a tomar a religião como um objeto de seu saber e de sua prática de intervenção terapêutica? É tentador pensarmos nesse fenômeno sob a chave da medicalização, incluindo nesse conceito também a participação dos psicólogos. Para o sociólogo Peter Conrad, autor constantemente referenciado no conjunto de trabalhos que articulam esse debate, o conceito de medicalização descreveria “o processo pelo qual problemas não médicos passam a ser definidos e tratados como problemas médicos, frequentemente em termos de doenças ou transtornos” (Conrad, 2007, p.4, tradução minha). Aqui, a inclusão explícita dos temas da religião e da espiritualidade no DSM seria a mais convincente evidência da hipótese da medicalização da religião e da espiritualidade, dado o repetido mantra que situa o manual como “a Bíblia da psiquiatria” estadunidense. O transe, a possessão e outras experiências eminentemente religiosas ou espirituais seriam deslocadas de seu espaço “originário” para o da medicina e dos saberes psi, sob a autoridade dos profissionais dessas disciplinas.

Embora a chave interpretativa da medicalização me pareça plausível para esse caso e para muitos outros fenômenos contemporâneos, gostaria de pontuar alguns mal-entendidos que a irrefletida e rápida aderência a ela pode gerar para a análise. Para tanto, recorro aqui à provocação feita pelo antropólogo Didier Fassin (2011) em um texto escrito para uma coletânea sobre o tema do uso de drogas. Inspirando-se no jogo de sentidos feito por René Magritte em seu famoso quadro A traição das imagens, o antropólogo intitula ironicamente seu texto como Isso não é medicalização, esclarecendo que não busca recusar o argumento segundo o qual há um processo de medicalização da sociedade, mas sim questionar sua suposta obviedade – assim como no caso da imagem do cachimbo na pintura de Magritte. O que tomamos como dado quando aderimos rapidamente à hipótese de que determinado fenômeno foi medicalizado?

A traição das imagens, de René Magritte. Fonte: https://www.wikiart.org/en/rene-magritte/the-treachery-of-images-this-is-not-a-pipe-1948

O caso que Fassin retoma para elaborar suas considerações diz respeito à mudança ocorrida no modo como médicos franceses passaram a lidar com a questão do abuso de consumo de drogas nas últimas décadas do século XX. Segundo o autor, se no começo dos anos 1980 esse fenômeno era compreendido por psiquiatras locais como um problema que deveria ser pensado a partir da necessidade de se afastar as substâncias de seus usuários e de lidar com os efeitos da abstinência provocada, nos anos 1990 a problemática havia se alterado. Com a entrada em cena de especialistas em saúde pública, o que era então uma questão de abstinência se tornou uma de redução de danos, na qual se ofereciam drogas orais alternativas e seringas limpas com a intenção de se evitar possíveis doenças infecciosas, em vez de se tentar afastar os usuários das substâncias em questão.

O exemplo dado por Fassin é interessante exatamente por colocar em questão uma das assunções muitas vezes associada implicitamente à ideia de medicalização, a saber: a de que haveria um processo linear e de significado unívoco, de progressivo e crescente domínio por parte da medicina sobre coisas e pessoas alheias a ela. Esse tipo de assunção produz uma espécie de efeito homogeneizador nos fenômenos agrupados sob a rubrica do conceito, perdendo de vista as particularidades referentes por exemplo ao caso trazido pelo autor. No exemplo em questão, enquanto o consumo de drogas nos anos 1990 se manteve sob a atenção da medicina, a relação estabelecida entre os profissionais da saúde e o fenômeno era distinta da existente na década anterior. Haveria assim uma reconfiguração do problema, ocorrendo o abandono de um paradigma da erradicação do consumo de drogas e de seus usuários para um paradigma de saúde pública, de substituição das substâncias ou dos instrumentos de injeção. Nesse sentido, como sugere Fassin (2011, p.88, tradução minha), “não é que a medicalização tenha ocorrido, mas sim que seu significado se alterou”.

Une Pipe, de Werner Wejp-Olsen
Fonte: https://www.toonpool.com/cartoons/Une%20Pipe_311075

Algo semelhante parece ocorrer com os casos que analisei em minha dissertação. O que me chamou a atenção nesse material desde o princípio de minha pesquisa foi certa posição reativa tomada pelos propositores das categorias diagnósticas quanto à questão da relação entre as experiências religiosas e/ou espirituais e a suposta existência de psicopatologias. Isso porque enquanto a literatura sobre dissociação estabelecia uma abertura para se pensar experiências de transe e de possessão como “culturalmente normais”, a psicologia transpessoal argumentava pelo potencial positivo e transformador que muitos desses fenômenos tinham ao sujeito. Mais do que isso, alguns desses atores eram enfáticos ao criticarem certo passado patologizante que a disciplina mantinha em relação às experiências religiosas e espirituais. No plano internacional, talvez o caso mais exemplar e lembrado sobre essa questão seja o de Jean-Martin Charcot na segunda metade do século XIX, com sua releitura das possessões demoníacas como meras manifestações histéricas.¹ Já em território brasileiro, uma série de trabalhos de autores das ciências sociais e da história já apontaram para como psiquiatras brasileiros se interessaram na primeira metade do século XX pelas religiões afro-brasileiras e pelo espiritismo kardecista, qualificando as práticas possessivas e mediúnicas a elas associadas como patologias mentais.²

Há duas questões que me parecem centrais a respeito da criação e inclusão dessas categorias diagnósticas no DSM e da possível interpretação desse processo como parte da medicalização da sociedade. Por um lado, assim como no caso introduzido por Fassin, encontramos aqui uma situação histórica na qual determinadas experiências religiosas e/ou espirituais já eram de algum modo tomadas como objeto da atenção de médicos psiquiatras e de psicólogos ao menos desde as últimas décadas do século XIX. A esse respeito, em vez da medicalização como um ato inédito de inclusão de certo elemento da sociedade sob a autoridade médica, estamos mais próximos da assertiva de Michel Foucault sobre esse assunto, para quem desde ao menos o século XIX praticamente já não há mais qualquer coisa que de alguma forma não esteja sob o domínio da medicina. Como o próprio filósofo afirma (Foucault, 2010, p.184), “o diabólico é que, cada vez que se quer recorrer a um domínio exterior à medicina, descobre-se que ele já foi medicalizado.”

Por outro lado, se há uma continuidade no interesse de psiquiatras e de psicólogos pelo tema da religião e da espiritualidade, também há descontinuidades nesse fenômeno. Os propositores dessas categorias diagnósticas se dizem cientes da complicada história dos psiquiatras e médicos que tenderam a ignorar ou a patologizar determinadas experiências religiosas ou espirituais. Nesse sentido, ambas as categorias e as literaturas associadas a elas afirmam se deslocar de uma atitude amplamente patologizadora que marcaria em grande medida a história dos saberes psi, permitindo assim que determinadas experiências de transe, possessão e transcendentais fossem encaradas como psicologicamente normais.

É diante dessas dificuldades encontradas na utilização do conceito de medicalização que considero a saída proposta por Fassin (2011) uma solução razoável. Para o autor, é preciso que repensemos o processo de medicalização como uma forma de problematização dentre outras possíveis, isto é, como uma configuração particular em que atores, discursos e práticas concretas instituem a realidade de objetos e sujeitos a partir de um campo de problemas. Esse leve deslocamento da ênfase na medicalização para a problematização permite que nos afastemos das assunções homogeneizadoras e lineares ligadas ao conceito, enfocando em vez disso as formas diferenciais e historicamente situadas de processos em que certas experiências ligadas à religião e à espiritualidade são tomadas como um objeto do discurso de psiquiatras e psicólogos.

Mais importante para o caso do material que analisei em minha dissertação, falar em problematização permite também que demos conta de incluir na análise a atuação de outros conjuntos de atores. Nos debates analisados, antropólogos estadunidenses e suas produções ao longo do século XX foram absolutamente fundamentais na composição dessa nova configuração do problema, sendo constantemente referenciados pelos propositores das categorias e pela literatura a qual elas se baseiam como aqueles profissionais que, por serem especialistas na diferença cultural, são em grande medida responsáveis pela compreensão “normalizada” de muitos fenômenos religiosos considerados até então como anormais por parte dos profissionais da saúde mental. Em lugar do congelamento da análise apenas no território dos psiquiatras, podemos acompanhar como muitas dessas concepções psiquiatrizantes ou psicologizantes sobre as experiências religiosas e espirituais mobilizam, a seu modo, parte de considerações vindas da própria antropologia. Sem recusarmos a constatação do fato de que uma quantidade considerável de elementos da realidade social se encontra sob a autoridade da medicina, podemos assim melhor compreender as formas variadas a partir das quais essa autoridade é exercida e reconfigurada em situações específicas e a partir de alianças com especialistas de outras áreas do saber.

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Referências bibliográficas

ANDRIOPOULOS, Stefan. Possuídos: crimes hipnóticos, ficção corporativa e a invenção do cinema. Rio de Janeiro: Contraponto, 2014.

CONRAD, Peter. The Medicalization of Society. Baltimore: The John Hopkins University Press, 2007.

DANTAS, Beatriz Góis. Vovó Nagô e Papai Branco: usos e abusos da África no Brasil. Rio de Janeiro: Edições Graal, 1988.

FASSIN, Didier. This is Not Medicalization. In: HUNT, Geoffrey; MILHET, Maitena; BERGERON, Henri (org.). Drugs and Culture: Knowledge, Consumption and Policy. Farnham: Ashgate Publishing, 2011.

FOUCAULT, Michel. Crise da medicina ou crise da antimedicina. In: Verve, v.18, 2010.

GIUMBELLI, Emerson. O cuidado dos mortos: uma história da condenação e legitimação do espiritismo. Rio de Janeiro: Arquivo Nacional, 1997a.

______. Heresia, doença, crime ou religião: o Espiritismo no discurso de médicos e cientistas sociais. In: Revista de Antropologia, v.40, n.2, 1997b.

GONÇALVES, Valéria Portugal; ORTEGA, Francisco. Uma nosologia para os fenômenos sobrenaturais e a construção do cérebro ‘possuído’ no século XIX. In: História, Ciências, Saúde – Manguinhos, v.20, n.2, 2013.

GROSSI, Roberta Vittoria. Demonic Possession and Religious Scientific Debate in Nineteenth-Century France. In: GIORDAN, Giuseppe; POSSAMAI, Adam (org.). The Social Scientific Study of Exorcism in Christianity. Cham: Springer, 2020.

Notas:

[1] A esse respeito, ver o trabalho de Valéria Portugal Gonçalves e Francisco Ortega (2013), Stefan Andriopoulos (2014) e Roberta Vittoria Grossi (2020).

[2] Os trabalhos de Emerson Giumbelli (1997a; 1997b) e Beatriz Góis Dantas (1988) são bons exemplos de pesquisas que lidaram com essa questão no contexto brasileiro.

Espiritualidade sem religião

Espiritualidade sem religião

By admin in Publicações on março 23, 2021

A finais de janeiro deste ano, Rodrigo Toniol participou de uma conversa no programa Ciência na religião para conversar sobre espiritualidade sem religião através do canal de YouTube Paz e Bem.  

Nessa oportunidade, o pesquisador se dedicou a caracterizar o fenômeno da espiritualidade com suas diferentes nuances e características atuais. Na entrevista, foram abordados temas como a diferenciação entre espiritualidade e religiosidade, características que apresenta a espiritualidade em relação com a religião. Por outro lado, chamou a atenção o debate sobre como está se-vivenciando a espiritualidade e a relação com a população identificada como “sem religião”, mesmo com o ateísmo.

Quem tiver interesse, pode aprofundar mais no vídeo da conversa:

 

Roda de conversa: “Uma boa hora? Experiências de gestação, parto e puerpério”

Roda de conversa: “Uma boa hora? Experiências de gestação, parto e puerpério”

By admin in Eventos, Uncategorized on março 16, 2021

Na próxima quinta (18/03) às 14h, Giorgia Nascimento, doutoranda no PPGAS da Unicamp e integrante do NUES, participará da roda de conversa: “Uma boa hora? Experiências de gestação, parto e puerpério”, junto a Isabel Löfgren organizada pelo Pavão Cultural.
O evento vai acontecer via Zoom e para participar é preciso se inscrever seguinte formulário aqui linkado.

Giorgia Nascimento é graduada em Ciências Sociais pela UNICAMP e doutoranda em Antropologia Social na mesma Instituição. Desenvolve pesquisa na área de Antropologia da Saúde, com foco nas temáticas de gênero, parto, maternidades, saúde reprodutiva e da população negra. Apresentará, na roda, o tema de sua pesquisa de doutorado “Uma boa hora? Diferenças na produção de experiências de gestação, parto e puerpério.” apontando raça e classe como marcadores da diferença nos processos de gestação, parto e puerpério em experiências na RMC.
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Isabel Löfgren é artista visual, professora e pesquisadora. Sua prática se situa na confluência entre arte, novas mídias e arquitetura. Seus interesses incluem diáspora, memória e espaços de fluxos informacionais narrativos.
A partir de escavações realizadas na área portuária do Rio de Janeiro, quando foram descobertos importantes marcos do período escravagista no Brasil, Isabel e Patricia Gouvêa iniciaram a pesquisa que levou à criação da exposição Mãe Preta, que já foi montada em diversas cidades brasileiras e foi tema de debates internacionais.
Nesta roda, Isabel apresentará a pesquisa que resultou na exposição Mãe Preta.

Primeira defesa do grupo: religião e espiritualidade em debates recentes dos saberes “psi”

Primeira defesa do grupo: religião e espiritualidade em debates recentes dos saberes “psi”

By admin in Eventos, Uncategorized on março 9, 2021

Na manhã da última quinta-feira de fevereiro, tivemos a oportunidade de reunirmos, ainda que virtualmente, para assistir a primeira defesa de uma pesquisa gestada e desenvolvida no NUES. Trata-se da dissertação de mestrado de Lucas Baccetto, que foi aprovado e agora segue para o doutorado em Antropologia Social na Unicamp. A banca da defesa contou com es professores Dra. Carly Barboza Machado (UFRRJ), Dr. Emerson Alessandro Giumbelli (UFRGS) e Dr. Rodrigo Ferreira Toniol (UNICAMP) como presidente.

Reproduzimos aqui título e resumo da dissertação:

Diagnosticando o sagrado: religião e espiritualidade em debates recentes dos saberes “psi”

Esta dissertação tem como objeto debates recentes realizados por psiquiatras e psicólogos em torno do tema da religião e da espiritualidade. O foco empírico é a criação, em 1994, de duas categorias diagnósticas no principal guia de diagnósticos psiquiátricos nos Estados Unidos, o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM): “problema religioso ou espiritual” e “transtorno de transe dissociativo”. A análise desenvolvida se centra sobre os modos como os propositores desses dois diagnósticos articulam uma série de categorias psicológicas e antropológicas para conceitualizar as experiências religiosas e espirituais como fenômenos normais ou como psicopatologias, situando suas produções na psicologia transpessoal e nos estudos sobre dissociação psicológica. A partir da leitura de artigos científicos, obras acadêmicas e entrevistas gravadas, busca-se compreender como são produzidos novos e distintos entendimentos psicológicos sobre fenômenos como o transe religioso, a possessão espiritual e a experiência transcendental.

 

I Reunião Latino-americana de Estudos da Espiritualidade. I Reunión Latinoamericana de Estudios de Espiritualidad

I Reunião Latino-americana de Estudos da Espiritualidade. I Reunión Latinoamericana de Estudios de Espiritualidad

By admin in Eventos, Novidades, Uncategorized on março 1, 2021

A I Reunião Latino-americana de Estudos da Espiritualidade tem como objetivo criar um espaço de intercâmbio entre pesquisadores e pesquisadoras de diferentes países da América Latina, interessados e que trabalhem com o tema da espiritualidade. Com intuito de trocar contextos empíricos de pesquisa, abordagens teóricas e metodológicas, essa reunião será realizada de modo virtual e terá o formato de um seminário fechado. Não se trata de um evento acadêmico para apresentação de papers, mas sim uma reunião de trabalho para favorecer o diálogo e intercâmbio entre pesquisadores. Inicialmente indicamos três eixos de debate centrais, todos eles articulados com debates sobre espiritualidade: práticas “orientalizantes”, terapias alternativas/complementares e política.

O evento receberá inscrições de graduandos, pós-graduandos e pesquisadores seniores. Para inscrição, solicitamos o preenchimento do formulário: https://docs.google.com/forms/d/11PXYEb3hfXUJMGaOC1GKPfdgVib22vboOmb3nDB2aNY

Para mais informações pode entrar em contato no seguinte e-mail: [email protected]

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El I Encuentro Latinoamericano de Estudios de Espiritualidad tiene como objetivo crear un espacio de intercambio entre investigadores e investigadoras de diferentes países de América Latina interesados y que trabajen con el tema de la espiritualidad. Con la intención de intercambiar contextos de investigación empírica, enfoques teóricos y metodológicos, este encuentro se celebrará de forma virtual y tendrá el formato de un seminario cerrado. No se trata de un evento académico para la presentación de papers, sino de una reunión de trabajo para promover el diálogo y el intercambio entre investigadores. Inicialmente señalamos tres ejes de debate, todos ellos articulados con los debates sobre la espiritualidad: prácticas “orientalizantes”, terapias alternativas/complementarias y política.

El evento recibirá solicitudes de estudiantes de grado, postgrado e investigadores senior. Para inscribirse, llená el siguiente formulario: https://docs.google.com/forms/d/11PXYEb3hfXUJMGaOC1GKPfdgVib22vboOmb3nDB2aNY

Para más información, podés entrar en contacto con nosotros a través del siguiente correo electrónico: [email protected]

 

Espiritualidade e bem-estar: holismo, integralidade e saúde – Association of Social Anthropologists of the UK

Espiritualidade e bem-estar: holismo, integralidade e saúde – Association of Social Anthropologists of the UK

By admin in Novidades on dezembro 15, 2020

Está aberta a chamada para apresentação de trabalhos na conferência da Association of Social Anthropologists of the UK & Commonwealth (ASA), evento que será realizado online entre os dias 29 de março e 1º de abril de 2021.

O painel “Espiritualidade e bem-estar: holismo, integralidade e saúde” será coordenado pela professora Dra. Cecilia Bastos (Museu Nacional/UFRJ) e pela doutoranda em sociologia Thaís Assis (USP), integrantes do NUES, e contará com a participação do professor Dr. Rodrigo Toniol como debatedor. A proposta é reunir pesquisas dedicadas a compreender as interfaces entre espiritualidade e saúde.

O envio de resumos pode ser feito até dia 28/12 através do link: https://nomadit.co.uk/conference/asa2021/p/9968#

Mais informações em: https://theasa.org/conferences/asa2021/

Spirituality and wellbeing: holism, integrality and health

Short abstract:

How does spirituality contribute to health, wellbeing and quality of life? How have the experiences and practices of therapeutic spiritualities built their legitimacy and defended their effectiveness? What is the role and significance of spirituality for health?

Long abstract:

The panel aims to collect research responsible for developing reflections on the ties between spirituality, wellbeing and health. Considering that the spiritual dimension is part of the multidimensional concept of health, the proposal is to gather recent discussions in the social sciences regarding phenomena and themes such as: holism; alternative and complementary therapeutic practices; mystical-esoteric and New Age traditions of health care; integrality; and therapeutic pluralism. The panel will welcome analyses and descriptions of physical, mental, spiritual or religious experiences and practices that are manifested in the interfaces between medical and therapeutic beliefs and rationalities. The expectation is to gather interpretations on discourses, practices and routines of therapeutic spiritualities that are established in the global scenario as instruments for disease prevention, health promotion, well-being and quality of life.

2020: o balanço possível

2020: o balanço possível

By Rodrigo Toniol in Crônicas de pesquisas on dezembro 12, 2020

Ruminei bastante para escrever este texto. Foram algumas tentativas para “acertar o tom”, mas a mão teimou em deixa-lo entre a confissão das expectativas, as frustrações que 2020 nos trouxe e algo semelhante a uma prestação de contas pública daquilo que nosso pequeno, mas muito potente, coletivo realizou. 

Nosso grupo de pesquisa surgiu em 2019 com o apoio de um robusto financiamento da Fapesp. Em linhas gerais estamos interessados na crescente presença e legitimidade da noção de espiritualidade no campo oficial da saúde. Em uma pesquisa que agrega pesquisadores da graduação ao doutorado, além de professores seniores, estamos às voltas com a tentativa de compreender  como “espiritualidade” tem mobilizado e tem sido mobilizada em políticas de saúde, em pesquisas médicas e em protocolos clínicos. De um lado, o que está em jogo é o interesse em um fenômeno cada vez mais amplo e presente no cotidiano dos espaços de saúde no Brasil e fora dele. De outro, dedicamos nossa atenção a uma categoria tão usual quanto pouco privilegiada em análises críticas das ciências sociais, a espiritualidade.

 Nós nos preparamos bastante para o ano de 2020. Planejávamos a intensificação dos trabalhos de campo, individuais e coletivos. Estávamos animados com o reforço que o grupo teria a partir do ingresso de Lucía Copelotti, vinda do Uruguai, para fazer seu doutorado na temática, de Florencia Chapini, vinda da Argentina, para realizar seu mestrado conosco, de Giorgia Nascimento, que por reconhecimento da qualidade de sua dissertação, passara para o doutorado direto vinculando-se ao grupo e de Juliana Boldrini, também no doutorado.  Entre dezembro de 2019 e março de 2020 eu estive na Holanda como pesquisador visitante na Universidade de Utrecht, recolhendo dados na biblioteca, prevendo trata-los e sistematiza-los ao longo de 2020. Naquele início de ano ainda trabalhamos nos projetos e obtivemos a aprovação ou a renovação de bolsas de iniciação científica de:Ana Foster, Aidan Valentina Fongaro, Greta Garcia, Isabela Mayumi, Manuela Carvalho, Lu Bolonha, Lhays Izidoro, Luiza Luz, Laura Andare, Luciana Cavalcanti.

Em fevereiro, Carlos Alberto Steil, Isabel Carvalho, Ana Paula Rodrigues, Tania Valente, Marina Sena, Rachel Trovarelli, Thaís Assis, Anna Pedra e Cecília Bastos, todos vinculados a outras universidades (USP, UNIFESP, Unirio, UFPB, UENF e UFRJ) formalizaram seu ingresso no grupo. Além de Lucas Baccetto e Giovanna Paccillo, que avançavam para o segundo ano do mestrado trabalhando conosco.

No entanto,  ainda em janeiro, Maria Luiza Assad, doutoranda do grupo, que fazia seu estágio sanduíche na Itália, começou a nos enviar relatos preocupantes da chegada do novo Coronavirus ao país. Pudemos realizar uma única reunião, na primeira semana de março, até que as notícias vindas da Itália se tornassem assustadoramente próximas de nosso cotidiano e a Unicamp suspendesse todas as atividades presenciais. 

Desde então nos mantivemos firmes no compromisso de encontros virtuais quinzenais. Em pouco tempo percebemos que os encontros não eram apenas benéficos para dar suporte às pesquisas em andamento, como também eram uma saída coletiva para enfrentar os tempos bicudos que vivemos. Não fosse por isso, tudo teria sido mais difícil. 

Juntos descobrimos estratégias para a realização de trabalhos de campo no mundo virtual, discutimos textos de nossa autoria enquanto eram escritos e tivemos a presença de pesquisadores de diferentes partes do país dispostos a compartilhar conosco seus resultados e experiências de vida. 

Mantivemos este site ativo, publicando crônicas inéditas, traduções e organizando pequenos dossiês. Mas sobretudo reforçamos neste ano uma lição que já nos era cara: ciência não se faz solitariamente e muito menos sem afeto. 

Sou infinitamente grato ao grupo que temos, sigo esperançoso naqueles que virão e empolgado com a etapa que agora inauguramos, transformando o NUES em um núcleo interinstitucional, distribuído entre UNICAMP e UFRJ.  

Para quem tiver interesse em saber mais sobre o que fizemos nos primeiros 18 meses de pesquisa, convido a baixarem o relatório que preparamos (Clique aqui). Saímos de 2020 com uma sensação muito ambígua, entre a exaustão de um ano doloroso e a confiança de não estarmos sozinhos. Que venham os próximos anos, aqui estaremos.   

Políticas públicas de educação ambiental e emergência climática

Políticas públicas de educação ambiental e emergência climática

By admin in Eventos on dezembro 8, 2020

No último sábado (05 de dezembro), a integrante do NUES e professora do programa de pós-graduação em educação da Unifesp, Isabel Carvalho, participou como mediadora da conferência de encerramento da 3ª mostra ObservaCampos, organizada pela UERGS Hortênsias. O evento, que aconteceu virtualmente entre 06 de novembro e 05 de dezembro de 2020, teve como tema as “ImaginAções em Políticas e Ambiente para um Mundo Pós-Pandêmico” e congregou pesquisadores em conferências, GTs e lives para pensar as questões em torno da problemática socioambiental.

A conferência “Políticas Públicas de Educação Ambiental e Emergência Climática” contou com a fala de Pablo Meira, professor de Educação Ambiental na Universidade de Santiago de Compostela, na Espanha, com quem a professora Isabel colaborou anteriormente. A conversa pode ser conferida abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=ZVA-56vlovs 

 

 

 

 

Quem são os católicos com direito de decidir?

Quem são os católicos com direito de decidir?

By admin in Católicas pelo Direito de Decidir on dezembro 3, 2020

Por Lucas Vanni

Na última semana de outubro, o Centro Dom Bosco (CDB), do Rio de Janeiro, ganhou visibilidade na imprensa em função de ter provocado o judiciário a se manifestar quanto ao direito de as “Católicas pelo Direito de Decidir” poderem ou não se identificarem como católicas. Algumas semanas depois, o centro carioca voltou a figurar na imprensa. Pessoas ligadas à entidade foram indiciadas por terem tentado impedir a celebração de uma “missa afro” no dia da Consciência Negra do ano passado. A gravação do ocorrido, divulgada pelo próprio Centro Dom Bosco, retrata três momentos: antes da missa, quando jovens ligados ao CDB, tentam convencer o padre de que aquela celebração não deveria acontecer, pois não estava de acordo com as leis litúrgicas da Igreja Católica; durante a missa, que transcorre, enquanto um grupo permanece de joelhos rezando o rosário silenciosamente; e, ao fim da missa, quando, depois da oração de um ato de desagravo pelas ofensas e sacrilégios que teriam sido cometidos, o grupo é confrontado, na saída do templo, pelos fiéis que participavam da missa.

A ação de grupos católicos conservadores no espaço público não é novidade no Brasil. A Tradição, Família e Propriedade (TFP), associação fundada por Plinio Corrêa de Oliveira, em São Paulo, nos anos 60, notabilizou-se por seu combate ao comunismo, seus estandartes e maneirismos aristocráticos. Apesar da influência que a TFP exerceu, no Brasil e no exterior, na formação de católicos conservadores, ela passou quase desapercebida pelo radar das ciências sociais da religião, mais atentas às grandes movimentações que o catolicismo sofria no Brasil. Depois do Concílio Vaticano II, o que chamava a atenção eram as Comunidades Eclesiais de Base e a influência da Teologia da Libertação na formação do clero e dos fiéis. Além da TFP, no entanto, acontecia no Brasil a confusão envolvendo os Padres de Campos, a formação do grupo Permanência, a instalação de um mosteiro tradicionalista, na serra fluminense, que romperia com a Santa Sé, e, mais recentemente, o surgimento dos Arautos do Evangelho. Tudo isso aponta para o caráter do Brasil como um terreno fértil para um catolicismo de corte conservador.

Se, até o início dos anos 2010, todas essas iniciativas pareciam pontos fora da curva, elementos isolados de uma Igreja que rumava em outro sentido, o panorama tem mudado. Embora não contemos com um estudo estatístico que possa dar uma noção mais precisa do tamanho e da influência do catolicismo conservador no Brasil, alguns sinais indicam para o seu crescimento. As ações do CDB são bastante relevantes, nesse sentido. Além disso, nas redes sociais pululam pequenas editoras que produzem material católico – em geral, comercializado exclusivamente através da internet –, clubes de assinatura de livros católicos, cursos sobre os mais diversos assuntos do catolicismo, lives de missas em latim etc. As redes têm um papel fundamental na formação e aglutinação dos católicos conservadores. Alguns sinais, ainda, são perceptíveis nos detalhes, como nos catálogos das lojas de paramentos litúrgicos. A recuperação de determinadas peças do vestuário dos sacerdotes – como as batinas, os barretes e determinados modelos de casula – são indícios de como essa “conservadorização” se manifesta inclusive na estética católica.

Outra característica dessa “conservadorização” é que se trata de um processo encabeçado majoritariamente por leigos, distanciados da hierarquia eclesiástica. O modelo de grupos de leigos conservadores que se reúnem para rezar e estudar já existe no Brasil há várias décadas. Pedro A. Ribeiro de Oliveira (1985, p. 313) oferece uma descrição das atividades nos círculos das elites intelectuais católicas do início do século passado que se presta a um relato exato do que fazem os grupos contemporâneos: “Leigos começam a ler e estudar a Bíblia, a conhecer Teologia, a discutir a Filosofia Tomista, a participar ativamente da Missa, a recitar orações e cânticos em latim; em suma, começam a ter acesso às crenças e práticas religiosas refinadas, elegantes, bem a gosto de intelectuais”.

É importante, no entanto, salientar a diferença na mudança da postura da hierarquia em relação a esses grupos. O Centro Dom Vital, por exemplo, foi fundado nos anos 20 com o incentivo explícito do Cardeal Leme, então Arcebispo do Rio de Janeiro, e a TFP, apesar de ter sido criada em um momento em que conservadores já questionavam as decisões da CNBB, contava com o apoio de bispos, que a defendiam abertamente de seus detratores. Os grupos contemporâneos, no entanto, tendem a não contar com o apoio dos bispos e de boa parte do clero, enfrentando, por vezes, a sua oposição. Se no vídeo da tentativa de impedimento da “missa afro” é mencionado o apoio do Cardeal Tempesta, o atual Arcebispo, à iniciativa daqueles jovens, esse apoio não foi manifesto pública e abertamente, nem mesmo na ocasião do indiciamento policial deles. Esse distanciamento denota uma espécie de clivagem etária na Igreja Católica brasileira, entendimento esse que é compartilhado entre católicos conservadores: a geração que conduz a Igreja, dos bispos e do alto clero, formada no período imediatamente posterior ao Concílio Vaticano II, é mais progressista que os católicos mais jovens. Estes teriam se aproximado do catolicismo a partir de influências como Olavo de Carvalho, ou mesmo por meio da Renovação Carismática Católica – que Reginaldo Prandi (1997) já prenunciava, nos anos 90, como uma “renovação conservadora” do catolicismo.

Os católicos conservadores, no Brasil, assim como outros conservadores, têm constituído uma frente em uma “guerra cultural”. A questão em torno do nome das “Católicas pela Direito de Decidir” é exemplo disso. Diria que é um exemplo do front extraeclesial dessa guerra, quando são mobilizados o judiciário e a política institucional – representada modelarmente na eleição da deputada federal Chris Tonietto, advogada do CDB –, voltado a pautas morais da sociedade em geral, especialmente as relacionadas aos temas de gênero e sexualidade. A confusão na “missa afro”, entretanto, assume um aspecto mais intraeclesial: o que está em disputa é o modo de celebrar a missa, e as autoridades e normas mobilizadas são unicamente aquelas que se restringem ao ambiente eclesiástico – as leis litúrgicas, o arcebispo, o pároco etc. (E assim permaneceria se a polícia não tivesse sido chamada pelos participantes da missa).

Se a batalha extraeclesial fere a sensibilidade secular de muitos brasileiros, especialmente daqueles que viam nos evangélicos uma ameaça maior à separação entre Estado e religião, a intraeclesial desestabiliza aqueles que tomavam por certa uma “modernização” do catolicismo com o Concílio Vaticano II. Em todo caso, novos atores católicos ingressaram na esfera pública e não estão a fim de passarem desapercebidos.

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Lucas Vanni é mestrando no Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e integrante do Núcleo de Estudos da Religião (NER) da UFRGS. E-mail: [email protected]

Referências:
Prandi, R. (1997). Um sopro do Espírito: a renovação conservadora do catolicismo carismático. São Paulo: Edusp/Fapesp.

Ribeiro de Oliveira, P. A. (1985). Religião e dominação de classe: gênese, estrutura e função do catolicismo romanizado no Brasil. Petrópolis: Vozes.

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Este texto é parte de uma série de publicações que serão realizadas ao longo desta semana nos sites do NER (UFRGS)LAR (Unicamp), Nues (Unicamp). Todos eles tomam como ponto de partida a decisão envolvendo Católicas pelo Direito de Decidir, que as proibiu de utilizar o termo católicas. Com issso, procuramos ampliar a visibilidade e o debate público sobre o tema, assim como consolidar parcerias institucionais que há bastante tempo aproximam esses grupos de pesquisa.